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Santoro critica política baseada em marketing e cobra entregas concretas

Em artigo, ministro afirma que governos têm priorizado narrativas e propaganda
Por Redação 13/05/2026 - 09:29
Atualização: 13/05/2026 - 09:42
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George Santoro
George Santoro

O ministro dos Transportes, George Santoro, fez uma crítica direta ao uso excessivo de marketing político na administração pública e defendeu uma gestão baseada em resultados concretos.

Em artigo publicado no dia 8 de maio, inspirado na célebre frase de Graciliano Ramos, “A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra foi feita para dizer”, Santoro afirma que a política brasileira vive uma “substituição da realidade pela narrativa”.

No texto, publicado pelo Cada Minuto, o ministro resgata a visão do escritor alagoano sobre a escrita como exercício de limpeza e objetividade. Segundo Santoro, Graciliano “tirava o exagero, a gordura e a maquiagem das palavras até restar somente a verdade”, característica que, para ele, está ausente em parte da política contemporânea.

Santoro critica o que chama de “estética da eficiência”, sustentada por slogans, campanhas publicitárias e discursos grandiosos, enquanto problemas estruturais permanecem sem solução. “Enquanto se douram as palavras, faltam entregas concretas”, escreveu o ministro ao citar gargalos em áreas como infraestrutura, trânsito urbano, educação e saúde.

Ao longo do artigo, o ministro afirma que muitos governos priorizam a construção de imagem em detrimento da execução de políticas públicas efetivas. Ele também questiona gastos elevados com propaganda institucional enquanto obras atrasam e serviços essenciais continuam precários. 

“Existe uma diferença profunda entre comunicação pública e propaganda política. A primeira informa. A segunda tenta substituir a realidade por percepção”, destacou Santoro.

O ministro também faz críticas indiretas a decisões administrativas que, segundo ele, ignoram critérios técnicos e o impacto real na vida da população. Como exemplo, menciona obras mal planejadas, creches improvisadas e ausência de investimentos estruturantes. Em outro trecho, Santoro afirma que gestores públicos não deveriam temer auditorias, relatórios detalhados ou metas objetivas. “Quem entrega resultado costuma preferir dados a slogans. Prefere planilhas a palanques”, escreveu.

Encerrando o artigo, o ministro reforça a defesa de uma gestão pública baseada na realidade e não em narrativas políticas. “No fundo, a lição de Graciliano continua simples e poderosa: a palavra não existe para encantar plateias; existe para traduzir a realidade. E uma democracia madura precisa reaprender isso urgentemente”, conclui George Santoro.


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