DECLARAÇÃO
Flávio diz que dinheiro de Vorcaro foi usado apenas em filme sobre o pai
Senador afirma ter buscado investimento privado para cinebiografia
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou nesta quinta-feira, 14, que o dinheiro solicitado ao banqueiro Daniel Vorcaro foi destinado exclusivamente à produção do filme Dark Horse, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Minha participação foi buscar investidores para colocar de pé um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, meu pai. Todos os recursos que foram aportados nesse fundo são integralmente utilizados para fazer o filme”, declarou.
Eduardo Bolsonaro mora nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025 e, nesse período, participou de viagens internacionais e encontros com políticos de direita. Entre os visitantes brasileiros que estiveram com ele estão o presidente do Valdemar da Costa Neto, dirigente do PL, e o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), André do Prado.
As declarações de Flávio ocorreram após a divulgação, na quarta-feira, 13, de um áudio em que ele aparece pedindo dinheiro a Vorcaro para a produção do filme. O material foi revelado pelo Intercept Brasil e confirmado pela TV Globo.
Na gravação, enviada em 8 de setembro de 2024, o senador afirma que a produção enfrentava dificuldades financeiras e cobra uma posição do banqueiro sobre parcelas atrasadas. “Tá num momento muito decisivo aqui do filme e como tem muita parcela pra trás, tá todo mundo tenso”, diz o parlamentar na mensagem.
De acordo com informações confirmadas por investigadores, Vorcaro chegou a pagar cerca de R$ 61 milhões para a produção. Parte dos repasses teria sido feita por meio da empresa Entre Investimentos.
Flávio Bolsonaro também comentou o tom das mensagens trocadas com o banqueiro, que incluem expressões como “irmão” e “mermão”. Segundo ele, o uso dessas palavras não indica proximidade pessoal. “É um jeito de falar do carioca. A gente usa para cumprimentar ou pedir algo na praia. Não significa intimidade”, afirmou.
Daniel Vorcaro está preso em Brasília e é investigado pela Polícia Federal por suspeita de liderar um esquema de fraudes financeiras que pode chegar a R$ 12 bilhões.
O banqueiro foi detido inicialmente em 17 de novembro de 2025 durante a operação Compliance Zero, deflagrada quando ele tentava embarcar para Dubai no Aeroporto Internacional de São Paulo–Guarulhos.
As investigações apuram uma rede que envolveria fraudes bilionárias, corrupção de servidores públicos e o uso de uma suposta milícia privada para intimidar adversários.



