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Renan Calheiros diz que cunhada de Motta recebeu R$ 140 milhões do Master

Senador afirma ter encaminhado pedido de auditoria ao Ministério da Previdência
Por Redação 19/05/2026 - 06:05
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Agência Senado
O senador Renan Calheiros
O senador Renan Calheiros

O senador Renan Calheiros (MDB-AL) afirmou, durante sessão da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado realizada na última terça-feira, 12, que Bianca Medeiros, cunhada do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), teria recebido R$ 140 milhões do Banco Master por meio de um empréstimo.

As declarações ocorreram durante debate sobre a emenda apresentada por Motta ao projeto que deu origem à lei do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa. O dispositivo prevê que entidades previdenciárias possam direcionar, no mínimo, 1% de suas reservas técnicas para aquisição direta de ativos ambientais.

Segundo Calheiros, a medida poderia favorecer empresas ligadas ao setor de créditos de carbono e ativos ambientais. O senador relacionou a proposta ao fato de Henrique Moura Vorcaro, pai do empresário Daniel Vorcaro, atuar em investimentos nesse segmento. Durante a sessão, Calheiros afirmou que o suposto empréstimo mencionado estaria vencido e não teria sido cobrado pela instituição financeira. 

O parlamentar também declarou, sem citar nomes, que outro congressista envolvido na assinatura da emenda teria recebido um imóvel de alto padrão no Lago Sul, em Brasília, de um operador ligado ao BRB (Banco de Brasília). “O caso é mais grave do que os fatos já investigados pela Polícia Federal e pelo Supremo Tribunal Federal”, declarou o senador durante a reunião da comissão.

Calheiros informou ainda ter encaminhado requerimento ao Ministério da Previdência Social solicitando acesso a auditorias, contratos e operações envolvendo fundos de previdência estaduais e municipais com ligação direta ou indireta ao Banco Master. Em nota, a assessoria de Hugo Motta afirmou que a emenda foi resultado de um acordo partidário e tinha como objetivo incentivar investimentos em sustentabilidade ambiental, especialmente relacionados à compensação de emissões de carbono.

O presidente da Câmara também negou qualquer relação com a empresa citada nas declarações do senador. “O presidente não é responsável nem responde por empréstimo feito por empresa na qual não possui qualquer relação societária”, afirmou a nota. Até o momento, não há informação pública sobre investigação formal ou decisão judicial relacionada às declarações feitas pelo senador.


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