INTIMIDAÇÃO
Grupo com adesivos de Flávio Bolsonaro ameaça e intimida estudantes na Ufal
Estudantes denunciam intimidação contra professora e retirada de cartazes
Estudantes da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), no campus de Arapiraca, denunciaram ameaças e intimidação por parte de um grupo de homens que chegou à instituição em duas caminhonetes com adesivos da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL). O episódio teria ocorrido na noite desta quinta-feira, 8, quando alunos e professores organizavam cartazes no local.
Segundo relatos divulgados nas redes sociais, cerca de dez homens desembarcaram dos veículos, abordaram uma professora de forma agressiva e arrancaram cartazes que estavam sendo colocados pelos estudantes.
Em um áudio atribuído a uma estudante da instituição, ela descreve o momento em que o grupo chegou ao campus e relata a abordagem contra integrantes da comunidade acadêmica.
“Gente, boa noite. Eu sou da Ufal de Arapiraca e hoje de noite aconteceu um negócio bem bizarro aqui. Chegaram [...] duas caminhonetes [...] com a cara do Flávio Bolsonaro e desceram [...] dez homens. A gente estava aqui na frente e eles começaram a coagir [...] uma professora [...] e começaram a arrancar os cartazes porque a galera estava colocando aqui na Ufal”, afirma a estudante no áudio.
Ainda na gravação, a estudante menciona a suposta presença de um vereador entre os envolvidos e relata que o grupo teria ameaçado retornar ao campus. “Eles começaram a falar que vão voltar amanhã”, diz. A identidade do parlamentar mencionado não foi confirmada de maneira independente.
A possibilidade de retorno dos homens nesta sexta-feira, 9, aumentou a preocupação entre integrantes da comunidade acadêmica. Não há confirmação independente sobre a identidade dos participantes ou as circunstâncias completas da abordagem.
Não é a primeira vez que a Ufal registra denúncias de intimidação
O fato ocorre pouco mais de um mês após outra confusão envolvendo manifestações políticas na Ufal. Em 1º de setembro, o policial federal e então candidato a deputado federal Flávio Moreno (PL) entrou no Instituto de Ciências Humanas, Comunicação e Artes (Ichca), no campus de Maceió, acompanhado de outros homens. Durante a visita, houve uma discussão com estudantes, que foram chamados de “comunistas”.
A situação chegou à Justiça Eleitoral após uma ação apresentada pela candidata a deputada estadual Alycia da Bancada Negra (PT), que acusou Moreno de constranger estudantes e utilizar o espaço universitário para produzir conteúdo eleitoral. Em 9 de setembro, o Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE-AL) negou o pedido de retirada imediata dos vídeos publicados pelo candidato, mas determinou o prosseguimento da investigação.
Também nesta quinta-feira, 8, estudantes do campus de Maceió relataram que um carro preto com uma bandeira do Brasil estaria perseguindo e ameaçando atropelar alunos identificados com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo a Folha de Alagoas, mensagens alertando sobre a situação circularam em grupos universitários. Não há confirmação de ligação entre os episódios de Maceió e Arapiraca.



