colunista

Elias Fragoso

Economista, foi prof. da UFAL, Católica/BSB, Cesmac, Araguaia/GYN e Secret. de Finanças, Planej. Urbano/MCZ e Planej. do M. da. Agricultura/DF e, organizador do livro Rasgando a Cortina de Silêncios.

Conteúdo Opinativo

O meu voto


Alagoas ainda tem muito a ser feito. Muito mesmo. No entanto, nos últimos anos o estado deu passos importantes nessa direção: nos dois governos de Renan Filho e no atual governo. Claro, ainda tem muito por fazer; afinal, foram 500 anos de dominação da economia da cana-de-açúcar, que sugou até o último sumo os recursos da economia alagoana. E que continuaria a fazê-lo não fossem duas debacles: a da economia do açúcar na região e a da economia alagoana a partir do Governo Collor, sequenciado por outra lorota — a de que Alagoas seria um portento industrial cloroquímico —, algo que nunca esteve nos projetos do governo e da empresa que aqui se instalou e recentemente destruiu 20% de Maceió sob o olhar complacente de JHC. 

A história desse estado tem sido de perdas em cima de perdas que somente começaram a ser refreadas a partir do Governo Renan Filho I. É, portanto, um paciente altamente sensível, ainda demandando cuidados rigorosos para ver a sua “saúde” geral se recuperar de fato. 

É por isso que não vou arriscar o futuro de Alagoas entregando-o a mãos inábeis, instagramáveis, incapazes e limpas o suficiente apenas por serem eivadas de escândalos em sua gestão na prefeitura. Não votarei em uma figura que, ao aparecer em debates, deixou péssima impressão e patenteou a sua incapacidade para conduzir os destinos de uma economia com as nossas características. Mudança por quê? Para pior? É preciso alertar que, após a sua gestão em Maceió, os principais rankings da nossa capital ficaram na rabeira dos das demais capitais do país.

Para ficar apenas nesse exemplo (existe outra dezena): Maceió, no caso, ocupa no ranking de Qualidade de Vida (IPS Brasil 2026) a 25ª posição entre as 27 capitais do país (ficando à frente apenas de Macapá e Porto Velho) e tem a pior colocação dentre as 9 capitais do Nordeste. Basta sair do perímetro de 200 metros das praias instagramadas pelo prefeito para se observar a dura realidade de nossa querida cidade, onde vivem — e sofrem as agruras da periferia — 850 mil pessoas! Tudo o que a propaganda do prefeito quer a todo custo esconder. Mudança? Uma ova! 

O eleitor sabe (ou deveria saber) que, ao votar em alguém para qualquer cargo, o mínimo que deveria conhecer é o que a pessoa já fez em defesa dos seus interesses ou de sua comunidade. Nunca deveria se deixar levar por quem compra votos, por quem nada tem a apresentar como atuação política verdadeira, menos ainda por aqueles candidatos que de repente aparecem ricos de uma eleição para a outra, por candidatos que defendam a agressão à mulher, por aqueles vinculados ao jogo que tanta infelicidade tem trazido às nossas famílias, ou até mesmo a milicianos. 

Por isso é que não votarei em dois dos candidatos que disputam voto a voto quem mais consegue engabelar os alagoanos: nele, por convicção do malefício que fará ao Senado Federal; e nela, porque, de tão inexperiente e desconhecida politicamente, teve que se valer do nome do marido para criar uma marca e também porque precisa explicar ao eleitor como, de onde e por que surgiu uma montanha de dinheiro na sua declaração de renda — o mínimo de transparência que o cidadão deve exigir. 

Meu voto para o Senado será para o senador Renan Calheiros e para o Dr. José Wanderley. Ambos somam a expertise que aquela casa revisora merece ter em sua composição e pela defesa dos interesses de Alagoas por duas figuras públicas de verdade. 

Para a Câmara Federal, votarei no ex-prefeito Rui Palmeira; e, para estadual, no deputado Inácio Loiola. Esse time, em seus respectivos parlamentos e no Executivo, me deixa à vontade para sonhar com dias melhores para este estado. Nada de mudança de araque. Nada de radicalismo de palanque. Por fim, devo dizer que nunca estive pessoalmente com Renan Filho e Rui Palmeira. Quanto ao Dr. Wanderley e ao Inácio Loiola, embora estejam no meu rol de amigos, não nos falamos pessoalmente há mais de um ano. Meu voto é por merecimento. É por uma Alagoas melhor.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do EXTRA


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