Jornalista, escritor, colunista do Jornal Extra, da Gazeta de Alagoas e da Tribuna do Sertão, além de presidente do Instituto Cidadão.

Conteúdo Opinativo

Sem alternância

28/03/2026 - 06:00
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A Justiça tem anulado, em quantidade crescente, uma prática nada republicana e infelizmente ainda recorrente nos legislativos estaduais e municipais: a eleição antecipada das Mesas Diretoras. Trata-se de um expediente que afronta frontalmente a Constituição e a legislação ordinária ao distorcer o processo democrático e esvaziar o princípio da alternância de poder.

Ao antecipar escolhas que deveriam respeitar o tempo institucional adequado, cria-se um ambiente de conveniência política, favorecimentos e acordos que pouco dialogam com o interesse público. As recentes decisões judiciais representam, portanto, um freio necessário ao casuísmo e uma reafirmação de que a democracia não pode ser manipulada ao sabor de maiorias ocasionais.

Capitania hereditária


Ingressei no serviço público no ano de 1970, como assessor de imprensa do Tribunal de Contas. O presidente era o conselheiro Jorge Assunção, homem público ético, administrador modelo e gestor austero. Era um tribunal pequeno em tamanho, mas gigante em ações. Um plenário composto por homens públicos honrados, os entes públicos eram fiscalizados com rigor e os prefeitos auditados todos os anos. Hoje em dia o órgão virou uma sinecura, desacreditado, com um plenário sem expressão e agora se transforma em uma vergonhosa “capitania hereditária”. Voltarei ao assunto com detalhes.

O homem é Paulo


O deputado Paulo Dantas chegou ao governo por meio de um acordo político para concluir o mandato deixado por Renan Filho, movimento que, à época, despertou desconfianças e expectativas. No entanto, ao longo da gestão, consolidou-se com atuação eficiente tanto na capital quanto no interior, ampliando sua presença administrativa e política.

Com habilidade, ganhou protagonismo próprio, deixou de ser apenas uma solução de circunstância e se transformou em liderança com identidade. O resultado veio nas urnas: uma reeleição consagradora, que lhe conferiu musculatura política e autoridade no cenário estadual. Hoje, Paulo Dantas reúne condições de disputar qualquer cargo que desejar, sustentado por um capital político robusto e crescente. As vitórias e derrotas das próximas eleições inevitavelmente passarão por suas mãos e, ao que tudo indica, é um protagonismo do qual não pretende abrir mão.

Alagoas com Lula


Diante de um cenário ainda marcado por indefinições amplas no tabuleiro político de Alagoas, o campo bolsonarista vive um momento de baixo astral na projeção para as próximas eleições. A ausência de articulação mais consistente e a dificuldade de formar alianças robustas têm fragilizado o grupo no estado.

Enquanto isso, as principais forças políticas locais sinalizam convergência em torno de uma candidatura ligada ao Partido dos Trabalhadores, o que tende a isolar ainda mais o palanque adversário. Nesse contexto, o provável candidato Flávio Bolsonaro enfrentaria um cenário de apoios pouco expressivos, o que reduz significativamente sua competitividade no estado.

Alfredo ganha tempo


Com a prorrogação do prazo para a CPMI do roubo do INSS, que também atinge o escândalo do Banco Master, o deputado Alfredo Gaspar ganha mais tempo de protagonismo nas mídias sociais e diante de eleitores alagoanos. Bom de argumentação, corajoso e estrategista, ainda vai causar muitos estragos nas quadrilhas que levam o dinheiro do brasileiro.

Ninguém liga


O deputado Cabo Bebeto tem berrado loucamente diante da situação de declínio do apoio ao seu “capitão”, que ao que parece só vai ter o seu apoio para a candidatura do Flávio “Rachadinha”. Ameaça, esbraveja e ninguém dá a mínima importância para seus ataques inócuos.

Ameaça a jornalistas


De vez em quando aparece um valentão com ameaças a jornalistas como se fossem senhores de engenho e seus cambiteiros. Não possuem o mínimo de espírito republicano e parece que não leram nada sobre liberdade de imprensa. Se andar na linha, não tem crítica.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do EXTRA


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