O perigo para JHC
O ex-prefeito JHC ainda tem um longo caminho até a contagem dos votos nas próximas eleições. Tem destino e vocação política já demonstrados e testados nas urnas. Construiu liderança, ampliou espaços e hoje ocupa posição privilegiada no tabuleiro alagoano.
Mas política também exige prudência. E talvez o maior risco para JHC seja exatamente o “querer demais” e acabar pisando em falso em uma caminhada que, até aqui, tem sido vitoriosa.
Sua eleição tem tudo para acontecer, mas dependerá muito da amplitude de sua composição política. Ele sabe e todo mundo também que Arthur Lira possui força muito maior no interior do estado. Juntos, formam um bloco extremamente competitivo e difícil de enfrentar. Também é impossível ignorar que a administração exitosa de JHC em Maceió teve peso importante da influência política e da capacidade de captação de recursos viabilizada por Arthur Lira, hoje candidato ao Senado. Obras, investimentos e grandes projetos passaram, direta ou indiretamente, por essa parceria de poder.
Caso penda para o lado errado nesse xadrez político, JHC poderá transmitir duas imagens perigosas na política: a da ingratidão e a da falta de visão estratégica. E ambas costumam cobrar preços altos nas urnas e nos bastidores do poder.
Chegou o bolsonarismo
O bolsonarismo chega ao Tribunal Superior Eleitoral com a posse do ministro Kassio Nunes Marques na presidência da Corte. A pergunta que circula nos bastidores de Brasília é inevitável: o que vai acontecer daqui pra frente?
A chegada de Nunes Marques ao comando do TSE muda o ambiente político e jurídico das eleições. Indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro para o Supremo Tribunal Federal, o ministro sempre foi visto como um magistrado de perfil mais conservador e garantista, o que imediatamente reacende a esperança do bolsonarismo de encontrar um ambiente menos hostil dentro da Justiça Eleitoral.
Lula em campanha
Especialistas avaliam que o presidente Lula deixou de governar com prioridade administrativa e mergulhou, de vez, no clima da campanha pela reeleição. O fim da chamada “taxa das blusinhas”, anunciado por medida provisória, é mais um episódio dessa estratégia: retirar um desgaste criado pelo próprio governo e tentar transformá-lo em gesto de bondade eleitoral.
O problema é que o eleitor já conhece esse roteiro. Primeiro o governo taxa, depois percebe o prejuízo político, recua e vende o recuo como benefício popular. A medida pode aliviar o bolso de parte dos consumidores, mas também revela improviso, cálculo eleitoral e preocupação crescente com a popularidade.
A legislação brasileira proíbe campanha antecipada e o uso da máquina pública como instrumento de compra de apoio político.
E a vontade do povo?
A agitação política no interior aumenta a cada dia à medida que a eleição se aproxima. Prefeitos e vereadores viraram “moedas de valor”, assediados por candidatos ao governo, ao Senado, à Câmara Federal e à Assembleia Legislativa.
A inflação também chegou às eleições: o preço do apoio político triplicou. O problema é que ninguém combinou com o povo. E é justamente o eleitor, silencioso e desconfiado, que pode surpreender na contagem dos votos.
Tentáculos perigosos
O governo de Renan Filho deixou tentáculos de sua gestão espalhados em algumas prefeituras alagoanas. Coordenados por um conhecido “lambe-botas” do poder, setores financeiros estratégicos seguem sob influência de um grupo que, nos bastidores, já desperta preocupação até entre aliados.
Há movimentações, contratos e operações que começam a chamar atenção de órgãos de controle e de gente experiente da política. O desfecho dessa história pode caminhar para um grande escândalo administrativo e financeiro.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do EXTRA



