O dilema de Lira
A entrada de Alfredo Gaspar na disputa ao Senado pode levar Arthur Lira a repensar o projeto de ser senador e investir em sua permanência na Câmara Federal. Afinal o deputado tem uma reeleição garantida e não deve correr o risco de ficar sem mandato, e pior, sem foro especial.
Dos pré-candidatos ao Senado, Arthur Lira é o que tem maior rejeição eleitoral no estado, enquanto Alfredo Gaspar tem o maior índice de aceitação e não depende de currais eleitorais regados a emendas secretas. É talvez o único parlamentar dessa legislatura a conquistar o chamado voto de opinião, que faz a diferença na disputa majoritária.
Político em primeiro mandato, Gaspar leva ampla vantagem sobre Arthur Lira também no quesito ficha-limpa onde Lira tem a imagem desgastada por envolvimento em episódios de corrupção e desvio de recursos públicos ao longo de vários mandatos eletivos. Em pleito majoritário a imagem do candidato conta mais do que o dinheiro.
Além disso, o nome de Gaspar tende a crescer na opinião pública nessa segunda fase da CPMI do INSS quando o deputado-relator deve tomar o depoimento de Lulinha, filho de Lula, sobre seu envolvimento com o Careca do INSS, chefe da roubalheira contra os aposentados. Enquanto isso, Lira se esforça para que aliados e assessores fiquem distantes das investigações da PF sobre desvios de verbas das emendas secretas.
Com a provável reeleição do senador Renan Calheiros, a disputa pela segunda vaga ao Senado será acirrada, com nomes do porte de Davi Davino e Marina Candia, que tirarão votos de Lira na capital onde ele tem sua maior rejeição. Entre ficar sem mandato e garantir a reeleição, o deputado deve escolher a segunda opção. Afinal, o mais importante para Lira é garantir o foro privilegiado para driblar ações judiciais.



