Conteúdo do impresso Edição 1277

ELEIÇÕES

Alagoas sai das urnas mais calheirista, mas com espaço para Lira

Pelo jogo atual, 2026 terá Renan e Arthur como senadores
Por ODILON RIOS 12/10/2024 - 05:00
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REPRODUÇÃO
Mapa político-partidário de Alagoas após a votação do dia 6 de outubro
Mapa político-partidário de Alagoas após a votação do dia 6 de outubro

A Alagoas que emergiu das urnas no último domingo de eleições é mais calheirista, mas abre portas para o lirismo chegar ao Senado em 2026. O MDB elegeu 65 prefeitos, 27 a mais que em 2020; o PP, 27 prefeitos, perdendo 6. Cada lado se gaba de ter mais votos. O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP), diz que seus prefeitos, juntos, somaram 873 mil votos; o senador Renan Calheiros (MDB), só contando os do seu partido, totalizam 630 mil.

As contagens de Lira incluem as urnas de Maceió, mas foi quase nula sua presença na campanha à reeleição do prefeito JHC (PL). Afinal, o deputado federal foi vaiado no mês de maio durante entrega de casas populares na orla lagunar – e o risco poderia se repetir durante a campanha.

Lira e Calheiros são os candidatos mais fortes para as próximas eleições. Também significa que a disputa ao governo do Estado é menos importante porque ambos miram o Senado. Dão ainda sinais públicos de união, não se atacaram na campanha eleitoral nem invadiram tradicionais celeiros de votos.

Lira não atrapalhou a eleição em Murici, onde Remi Filho venceu com 66,01%. Uma grande folga em relação ao candidato do PP, Eduardo Oliveira, 27,63%. Calheiros não apareceu na Barra de São Miguel, o que garantiu a fácil reeleição de Benedito de Lira (PP), com 68,12%. Floriano Melo, do MDB, ficou com 31,88%.

As eleições também mostraram o gosto amargo da derrota:

- Renan Calheiros teve um dos piores resultados da história do MDB em Maceió: 12,74% para Rafael Brito contra 83,25% do maior opositor, JHC.

- O presidente da Assembleia, Marcelo Victor (MDB), apostou todas as fichas em Quebrangulo, mas Manoel Tenório (PSDB) venceu o grupo do prefeito Marcelo Lima, que lançou o vice Emanoel Cardoso (MDB), que perdeu por uma diferença de 5 votos.

- Arthur Lira perdeu em Estrela de Alagoas, onde os Garrote deixam o poder após 30 anos, assumindo Roberto Wanderley (MDB), irmão do deputado estadual José Wanderley Neto (MDB). Também foi derrotado em Junqueiro, onde Joãozinho Pereira tentou, sem sucesso, o retorno da família para a gestão do município. Joãozinho foi superintendente da Codevasf em Alagoas.

Na cidade vizinha, Campo Alegre, Pauline Pereira (irmã de Joãozinho) obteve 59,17%. Vitória já esperada pelo grupo. Henrique Tenório ficou com 40,83%. Melhor resultado da família foi em Teotônio Vilela. Peu Pereira se reelegeu com 77,19% dos votos contra 22,81% de Valdir Silva.

O bolsonarismo também estancou. Não se confirmou o crescimento pelo interior do estado. E quando olhamos para a capital, o fenômeno das urnas que explodiu em 2018 se tornou apenas uma bolha localizada.

Dos 11 vereadores eleitos pelo PL, onde está o ex-presidente Jair Bolsonaro, apenas Leonardo Dias é mais ideológico e claramente ligado à extrema direita. Os outros são mais influenciados pela troca de poder e acompanham mais o lado do prefeito, que pode ser mais conservador ou progressista. Outro vereador mais ideológico e também ligado à extrema direita é Thiago Prado, filiado ao PP.

O voto religioso influenciou profundamente a composição da Câmara:

- Milton Ronalsa, do PSB, apesar de estar em uma legenda com o nome “socialista”, agrega mais os votos de católicos conservadores, onde a família dialoga há décadas. Mas o PSB está na nuvem de legendas do Palácio República dos Palmares. Os Ronalsa garantiram o vice de Rafael Brito (MDB), têm bases no bolsonarismo mas subiram no palanque do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

- Luciano Marinho, do PL e mais votado, está com JHC, foi eleito com apoio dos católicos mais conservadores e da Assembleia de Deus.

- Sílvio Camelo Filho, do PV, teve votos dos católicos mais conservadores, porém de visão um pouco mais progressista. Também é um dos mais ligados à Cúria Metropolitana.

- Fátima Santiago, do MDB, subiu no púlpito da AD Brás, da pastora Claudia Balbino, secretária de Estado do Trabalho, Emprego e Qualificação, portanto do grupo do governador Paulo Dantas (MDB) e do senador Calheiros.

- Davi Davino, do PP, reeleito, tem base fortemente evangélica.

- Leonardo Dias é ligado aos conservadores do catolicismo.

O PT garantiu a reeleição de Teca Nelma. O partido tinha mais chances também de emplacar pastor Wellington (2.759 votos), Alycia da Bancada Negra (3.025), Doutor Valmir (2.566), mas não houve apoio da direção municipal.


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