Conteúdo do impresso Edição 1324

JOGO DO PODER

Sem rival, Renan Filho deve ter campanha ‘mais barata’

Ministro vai para terceira eleição ao governo, após lideranças ‘limparem’ cenário
Por Odilon Rios 19/07/2025 - 06:00
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Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Se de fato for candidato, Renan Filho deve se eleger sem enfrentar dificuldades
Se de fato for candidato, Renan Filho deve se eleger sem enfrentar dificuldades

O acordo em Brasília garantiu ao ministro dos Transportes, Renan Filho, assumir uma campanha ao governo para o próximo ano mais barata, não de graça, frise-se. E, como no passado recente, quem surgir será fácil de vencer.

Foi assim em 2014 quando Renan disputou e ganhou o primeiro mandato de governador. Por decisão do então governador Teotonio Vilela Filho, aliado histórico de Renan-pai, o escolhido para a sucessão foi o desconhecido assessor palaciano Júlio Cezar quando o posto era reivindicado pelo então vice de Téo Vilela, José Thomáz Nonô. De propósito, Téo pavimentou o caminho para Renan Filho.

O deputado federal Arthur Lira (PP) empurrou o pai, o senador Benedito de Lira (PP), para disputar o comando do Executivo. Com oito candidatos na disputa, o baixo desempenho (calculado pelo governo) de Júlio Cezar e o próprio desgaste de Biu de Lira facilitaram a vitória de Renan no primeiro turno.

Em 2018 foi ainda mais fácil. Renan disputou a reeleição, mas Lira filho não teria como lançar Lira pai ao governo já que ele disputaria a reeleição ao Senado. Com 17 partidos, Renan obteve 77,30% dos votos, muito mais que o segundo lugar, 11,06%, do desconhecido Josan Leite, do PSL, navegando na onda que elegeu Jair Bolsonaro à Presidência da República.

A escolha de Paulo Dantas para um mandato tampão e, em seguida, reeleito, foi mais arriscada. Dantas era um parlamentar desconhecido, de agenda restrita ao Sertão, mas ganhou o apoio do presidente da Assembleia, Marcelo Victor. A primeira vitória foi em uma eleição indireta, ou seja, votos entre os próprios deputados. A reeleição foi em voto direto. Diferença de exatos 74.294 eleitores no 2º turno para o então senador Rodrigo Cunha. Mesmo assim, valeu: os Calheiros elegeram seu sucessor.

Dantas anunciou que termina o mandato e vai apoiar para a sucessão Renan Filho. Se vencer, e o cenário está preparado por antecipação para isso, vai ao terceiro mandato. Levando em conta o período republicano, o feito dos Calheiros é inédito.

O primeiro governador, nomeado pelo então presidente da República, Deodoro da Fonseca, foi o irmão Pedro Paulino da Fonseca (1889-1890), que conseguiu indicar o sucessor Manuel de Araújo Góis (1890-1891) para, em seguida, o próprio Pedro Paulino voltar ao poder em 1891 (por dois meses), passando o bastão novamente para Manuel de Araújo (ficou quatro meses) até um governo provisório.

De 1900 a 1903, foi a vez de Euclides Malta, o primeiro eleito diretamente. Apoiou para a sucessão Joaquim Malta (1903-1905), o vice Antônio Cunha Rêgo (1905-1906), esquentando o lugar para a volta de Euclides (1906-1909), novamente escolhido pelas urnas, reelegendo-se pela 3ª vez (1909-1912), quando a oposição virou o jogo, promoveu um banho de sangue em Alagoas – incluindo o massacre nos terreiros de matriz africana em Maceió por acreditar que Euclides tinha um pacto com o Diabo e se garantir para sempre no poder.

Clodoaldo da Fonseca (1912-1915) foi eleito, apoiou o aliado (vitorioso) João Batista Accioli Jr (1915-1918), que, por sua vez fez campanha para Fernandes Lima (1918-1921) passando o poder para Manoel Capitolino da Rocha (1921), preparando o retorno de Fernandes Lima (1921-1924).

As eleições de 1950 também vinham na esteira de aliados eleitos pelos governadores. Silvestre Péricles de Góis Monteiro (1947-1951) teve o irmãos Edgar (1945) no governo, Ismar (1941-1945) e, lá atrás, Edgar (1935).

Silvestre foi derrotado por Arnon de Mello (1951-1956), por sua vez derrotado por Muniz Falcão (1956-1961), perdendo para Luiz Cavalcante (1961-1966) que apoiou Rui Palmeira disputando com Muniz (foi o mais votado), mas os militares impediram a posse e o presidente da ditadura Castelo Branco nomeou para interventor João José Batista Tubino, entregando o poder para a Arena, em votação indireta (via Assembleia Legislativa), ou seja, Lamenha Filho (1966-1971).

Ainda na ditadura, com Divaldo Suruagy (biônico nomeado de 1975 a 1978) surgiu Guilherme Palmeira, outro biônico de 1979 a 1982, renunciando para disputar mandato, assumindo, de novo, Divaldo Suruagy (1983-1986), já por votação direta. Era o período do governo “a quatro mãos”.

A oposição a este grupo conseguiu chegar ao poder com Ronaldo Lessa (1999-2003 e reeleito 2003-2006), que apoiou para a sucessão Teotonio Vilela Filho (2007-2011 e reeleito 2011-2015) e abrindo os caminhos para a vitória de Renan Filho (2015-2019 e reeleito 2019-2022).


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