Eleições 2026
JHC confia no ‘poder das redes’ e mantém silêncio sobre futuro
Já Renan Filho manda mensagem clara ao grupo: é candidato a governador
Enquanto o prefeito de Maceió, JHC (PL), está sob a expectativa de ser candidato a alguma coisa em 2026, o ministro dos Transportes, Renan Filho (MDB), caiu em campo e parece que, definitivamente, em mensagem direta e clara ao seu grupo político vai disputar o governo no próximo ano, e isso implica deixar o cargo onde ganhou tanto destaque na gestão do presidente Lula (PT).
Faltam 13 meses para as eleições. Cada grupo observa, de uma maneira própria, o desenrolar dos atuais acontecimentos. Principalmente a influência das redes sociais.
O prefeito JHC tem as redes como maior trunfo. Não mantém contato físico com os eleitores no interior, mas confia na repercussão da administração. Além disso há o programa Olhar da Gente, que faz cirurgias de catarata e outros procedimentos oftalmológicos, com triagens realizadas nos municípios e executadas no Hospital da Cidade, mantido pela
gestão municipal.
No Instagram, maior vitrine da classe política, JHC acumula 736 mil seguidores. Renan Filho, 587 mil.
Mas Renan tem a vantagem de ser um nome bastante presente no dia a dia da gestão federal, com viagens pelo país, contatos com governadores e lideranças políticas, além de intensa agenda pelo interior.
E também comanda um ministério com orçamento de R$ 25,4 bilhões previstos até o final do ano, segundo dados do portal Transparência e, para 2026, R$ 18,4 bilhões.
Há quem acredite, no entorno de JHC, que a cabeça da classe política local – principalmente do calheirismo –, é ultrapassada por subestimar o “poder do voto” das redes sociais. Cita deputados eleitos na onda das redes, como os estaduais Cabo Bebeto (PL) e delegado Leonam (União Brasil) e os federais Fábio Costa (PP) e Alfredo Gaspar de Mendonça (União Brasil).
Mas isso seria suficiente para construir um nome na oposição para enfrentar e ganhar o governo?
Quatro governadores no Brasil foram eleitos maciçamente por influência das redes sociais, porém todos ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), com participação ativa nas campanhas: Tarcísio de Freitas (São Paulo), Cláudio Castro (Rio de Janeiro), Romeu Zema (Minas Gerais) e Ratinho Junior (Paraná).
O prefeito JHC usa outro prefeito, o de Recife, como parâmetro de popularidade nas redes. Estamos falando de João Campos, do PSB, que se coloca como candidato a governador de Pernambuco. Com 2,3 milhões de seguidores no Instagram, Campos pode até se comportar como postulante ao Palácio do Campo das Princesas, mas sua aparição está quase que
completamente focada na capital pernambucana. Ponto para a governadora Raquel Lyra, do PSD, que vai para a reeleição e num ambiente favorável: desde que a reeleição passou a valer no Brasil, governadores que disputaram a reeleição em Pernambuco venceram. Menos um: Miguel Arraes, bisavô de João Campos, em 1998. Perdeu para Jarbas Vasconcelos.
Em Alagoas, nenhum dos governadores que disputou a reeleição perdeu nas urnas. Mas Paulo Dantas não pode ser candidato, porém seu aliado, Renan Filho, é. E nada de braçada para o retorno ao Palácio República dos Palmares.
Também o ministro e o presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Victor (MDB), demonstram entendimento público. Victor comanda os votos dos deputados estaduais. Também veiculou um texto elogiando o presidente Lula (PT).
“(...) a vida de Lula é vista como metáfora de um Brasil que insiste em se refazer a partir da adversidade. É a narrativa de um povo que aprendeu a transformar dor em luta e luta em conquista, convertendo o sofrimento em força e o destino em real possibilidade”, disse Victor.
A posição é estratégica: inelegível, o ex-presidente Jair Bolsonaro tem o futuro discutido no Supremo Tribunal Federal (STF); o PL, comandado em Alagoas por JHC, se restringe a Maceió, sem agregar forças pelo interior, mesmo Bolsonaro obtendo 41,13% dos votos válidos em 2022 no segundo turno da disputa presidencial. Além disso, Victor se aproxima
do deputado federal Arthur Lira (PP) – há expectativa de o presidente da Assembleia declarar o segundo voto ao Senado em Lira–, fechou acordo pela reeleição de Renan Calheiros (MDB) e fará campanha para Renan Filho governador. Mantido no MDB, comanda o PSD que quer reeleger Luciano Amaral e mantém a sigla mais próxima de Lula, apesar do
dirigente nacional Gilberto Kassab estar na administração Tarcísio de Freitas em São Paulo.
No grupo de JHC, o movimento prático é outro: a maioria dos vereadores de Maceió quer Jota disputando o governo, pois ao Senado fecharam acordo com Renan pai e Arthur Lira.
As lideranças comunitárias fecharam ou estão fechando apoio com o calheirismo.
O vice prefeito Rodrigo Cunha (Podemos), também secretário de Infraestrutura, divide com JHC a condução das obras pela cidade. Ainda assim, os discursos são ajustados para Maceió. Cunha se comporta mais como alguém viável para uma futura eleição à chefia do Executivo municipal, mantendo o grupo onde está, também aproveitando a desvantagem dos Calheiros que não vencem eleição para a Prefeitura no maior celeiro de votos no estado.



