Conteúdo do impresso Edição 1347

BAIRROS DESTRUÍDOS

Moradores dos Flexais dizem o que esperam deste ano de 2026

Área permanece isolada e famílias que ficaram fora das indenizações pagas pela Braskem vivem entre rachaduras, lama e incertezas
10/01/2026 - 06:00
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Reprodução
Abandonados, moradores pedem para ser realocados e tentam vender seus imóveis
Abandonados, moradores pedem para ser realocados e tentam vender seus imóveis

Perguntar aos moradores do Flexal de Cima e do de Bai xo, em Maceió, o que espe ram para este ano de 2026 é tocar em feridas ainda abertas. Desde o afundamento do solo provoca do pela atividade da mineradora Braskem, bairros inteiros foram esvaziados, ruas desapareceram e milhares de famílias deixaram suas casas. No meio desse pro cesso ficaram os Flexais — áreas isoladas, cercadas por obras inacabadas, água, lama e medo. Para quem permaneceu, falar de futuro é um exercício de dor, re sistência e uma esperança cada vez mais frágil. 

As ruas Tobias Barreto e Faustino Silveira estão entre as mais afetadas. Moradores rela tam que o solo continua cedendo, que as intervenções iniciadas há quase três anos são apenas palia tivas e que vivem “ilhados” pelo abandono. Muitos vizinhos se mudaram após receber indeni zações. Outros não conseguiram acordo, não aceitaram propostas ou permaneceram para proteger o pouco que ainda lhes resta. Abilene Lourenço Costa re side há 60 anos na Rua Tobias Barreto. Atualmente, mora com um filho e dois netos na casa comprada pelos pais. Ali nasceu, cresceu e construiu família. 


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