TUDO EM FAMÍLIA
Flávia Cavalcante abre espaço para retorno do pai à ALE com apoio do ex-marido
Com votação garantida no Litoral Norte, ex-prefeito de São Luiz do Quitunde contará com ajuda de Kelmann Vieira na capital
A deputada estadual Flávia Cavalcante não disputará a reeleição e irá viabilizar o retorno do pai, Cícero Cavalcante, à Assembleia Legislativa de Alagoas. Puxador assíduo de votos no Litoral Norte, o ex-prefeito de São Luís do Quitunde contará, na capital, com o apoio político do ex-genro, o vereador por Maceió Kelmann Vieira.
A articulação integra o movimento iniciado por Kelmann na primeira semana de 2026, quando o parlamentar intensificou ações voltadas às eleições deste ano. Em publicações nas redes sociais, ele indicou que a pré-campanha está em curso, com foco em alianças consideradas estratégicas no cenário estadual.
“Muitos estão me perguntando como começou minha primeira semana de 2026. A resposta está aí: nossa pré-campanha está a todo vapor, porque o caminho se constrói com atitude e gratidão!”, afirmou o vereador.
Além da disputa proporcional, Kelmann atua na consolidação do prefeito JHC como candidato ao Governo de Alagoas. As movimentações ocorrem de forma paralela, envolvendo articulações políticas na capital e no interior, com apoio declarado ao projeto liderado pelo chefe do Executivo municipal.
Reeleito em 2024 para o quarto mandato consecutivo, Kelmann construiu sua trajetória no MDB. Após o último pleito municipal, rompeu politicamente com o grupo liderado pela família Calheiros, mudança que alterou o mapa de alianças na Câmara Municipal de Maceió.
Com a nova configuração, o vereador passou a integrar a base de apoio de JHC e assumiu a liderança do prefeito na Câmara. A função o posicionou como principal interlocutor do Executivo junto ao Legislativo municipal, concentrando negociações e encaminhamentos institucionais.
No interior do estado, o foco está na candidatura de Cícero Cavalcante. Ex-prefeito de Matriz de Camaragibe e de São Luís do Quitunde, ele mantém base eleitoral consolidada no Norte de Alagoas, onde exerce influência política há vários ciclos eleitorais. A decisão de Flávia Cavalcante de abrir mão da reeleição se dá pelo fato de ela querer terminar a faculdade de medicina e, para evitar abrir espaço para outra família, apoiará a manutenção do próprio grupo na Assembleia. A estratégia concentra esforços em uma candidatura única, buscando preservar a representação política da família Cavalcante no Parlamento estadual.
A aliança entre Cícero Cavalcante e Kelmann Vieira une atuação no interior e presença política na capital, embora o vereador possa enfrentar dificuldades em conseguir votos devido aos dispensados da Secretaria de Estado de Prevenção à Violência (Seprev), pasta da qual foi titular e que deixou para virar líder de JHC na Câmara.
Sobre o futuro político de Kelmann, interlocutores avaliam que o vereador terá de enfrentar uma questão partidária e familiar caso pretenda disputar a Câmara Federal pela base do prefeito JHC. Para isso, precisará convencer o ex-sogro, Cícero Cavalcante, aliado político influente, além de obter a anuência do MDB municipal.
A janela partidária para vereadores ocorre apenas em 2028, restrita a candidaturas municipais. Para concorrer este ano a um cargo federal, Kelmann depende de uma carta de liberação do MDB, atualmente presidido em Alagoas pelo deputado federal Rafael Brito. Sem o documento, o partido pode recorrer à Justiça Eleitoral para reivindicar o mandato.
Embora não exista rompimento formal com o MDB, fontes políticas apontam que a relação esfriou após a ida de Kelmann para a base de JHC. Ainda assim, ele mantém proximidade com Cícero Cavalcante, apontado como peça central em eventuais negociações com lideranças do partido para viabilizar uma saída sem contestação judicial.



