CASO MASTER
Lira e Motta são os alvos de Renan Calheiros na comissão que investigará fraude
Senador diz que vai questionar Lula sobre encontro com Vorcaro
Hugo Motta, Arthur Lira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e, principalmente, representantes do sistema bancário estão entre os alvos citados pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL) na instalação da subcomissão do Senado que vai acompanhar as investigações sobre suspeitas de fraudes envolvendo o Banco Master. A declaração foi feita na quarta-feira, 4, durante reunião da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE).
A fala marcou a primeira manifestação pública de Renan Calheiros sobre o tema de forma mais aberta, o que deve dominar o debate político nos próximos dias, podendo interferir diretamente na relação com concorrentes de seu grupo político em Alagoas na disputa pelo Senado e até mesmo pelo governo estadual. O senador preside a CAE e foi escolhido para coordenar a subcomissão criada especificamente para acompanhar as apurações relacionadas ao banco.
A subcomissão, batizada de Comissão do Banco Master, contará com 13 integrantes e foi instalada em meio a pedidos de criação de comissões parlamentares de inquérito para investigar o caso. Renan afirmou que o trabalho do grupo não concorrerá com eventuais CPIs e destacou que a fiscalização do sistema financeiro é atribuição exclusiva da Comissão de Assuntos Econômicos.
Ao tratar da atuação da subcomissão, o senador declarou que não haverá seletividade nas apurações. “Diante da gravidade e da magnitude dos lesados, esse caso deve ser encarado de frente, doa a quem doer. Não haverá, desta Comissão do Master, nenhuma retaliação absolutamente contra ninguém. Mas, em havendo culpa, também não haverá omissão”, afirmou.
O caso envolve o Banco Master, controlado pelo empresário Daniel Vorcaro, e investigações que apontam para fraudes que podem chegar a R$ 17 bilhões. As apurações consideram operações financeiras realizadas ao longo de anos, com impacto em investidores, fundos e instituições públicas e privadas.
Entre os pontos sob análise estão suspeitas relacionadas à venda de carteiras de crédito ao Banco de Brasília (BRB), estimadas em R$ 12,2 bilhões, além de possíveis irregularidades envolvendo fundos de previdência. O caso é investigado pela Polícia Federal e acompanhado pelo Supremo Tribunal Federal.
Calheiros afirmou que pretende encaminhar questionamentos formais ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre uma reunião que teria ocorrido fora da agenda oficial com o proprietário do Banco Master. Segundo o senador, outras pessoas que participaram do encontro também poderão ser ouvidas pela subcomissão. “Todos que estiveram na reunião podem colaborar com esta comissão. Ao presidente da República, pretendemos fazer por escrito algumas perguntas sobre o fato. Se ele puder nos responder, ótimo. Isso, sem dúvida, vai contribuir para a investigação”, declarou Renan, em fala citada pela imprensa.
O senador também detalhou os instrumentos que poderão ser utilizados pela subcomissão. “A Lei Complementar 105, de 2001, estabelece que a quebra de sigilo pode ser proposta por esta comissão ao plenário e, sendo aprovada pelo Senado Federal, as quebras respectivas podem ser executadas”, explicou. Além disso, o grupo poderá realizar diligências, convocar investigados e testemunhas e visitar autoridades envolvidas nas apurações. Segundo Renan, essas medidas dependerão da evolução dos trabalhos e da análise dos dados reunidos ao longo da investigação.
O senador já havia afirmado nas redes sociais que surgem diariamente novas denúncias relacionadas ao Banco Master, com valores que podem alcançar R$ 20 bilhões. Renan também chegou a declarar que o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, e o atual, Hugo Motta (Republicanos-PB) teriam atuado junto a setores do Tribunal de Contas da União para tentar reverter a liquidação do banco. Segundo o senador, haveria pressão contínua sobre o TCU para alterar decisões relacionadas ao processo.
Arthur Lira reagiu às declarações em nota enviada à imprensa. Afirmou que Renan Calheiros divulga informações falsas e que as acusações teriam como objetivo constranger o governo e o Parlamento. O deputado Hugo Motta não havia se manifestado até o fechamento desta edição. (Mais sobre o Master nas páginas 10 e 11)



