tragédia em vinhedo

Relatório conclui que avião da Voepass não deveria ter decolado

Aeronave da Voepass operava com sistema de proteção contra gelo inoperante
Por Redação 24/07/2026 - 06:47
Atualização: 24/07/2026 - 10:46
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Paulo Pinto/Agência Brasil
Aeronave da Voepass
Aeronave da Voepass

O relatório final do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) concluiu que o avião da Voepass que caiu em Vinhedo (SP), em 9 de agosto de 2024, não deveria ter sido autorizado a decolar nas condições em que operava.

O voo era comandado pelo piloto Danilo Santos Romano, de 35 anos. Embora morasse no bairro da Jatiúca, em Maceió, ele era natural de São Paulo. O acidente deixou 62 mortos: 58 passageiros e quatro tripulantes.

Segundo a investigação, a aeronave ATR-72, de matrícula PS-VPB, decolou com o sistema Airframe De-Icing, responsável pela proteção contra o acúmulo de gelo nas superfícies da aeronave, inoperante. De acordo com os investigadores, diante da previsão de formação de gelo ao longo da rota entre Cascavel (PR) e Guarulhos (SP), a operação não atendia aos requisitos regulamentares de segurança e, por isso, o voo não deveria ter sido despachado.

O relatório conclui que, durante o voo de cruzeiro, a aeronave encontrou condições severas para formação de gelo. O acúmulo comprometeu o desempenho do avião, provocando perda de velocidade, estol aerodinâmico, perda de controle e, posteriormente, a queda sobre uma área residencial de Vinhedo.

Além da falha no despacho da aeronave, o Cenipa identificou erros da tripulação. Conforme o documento, os pilotos demoraram a reconhecer a degradação do desempenho causada pelo gelo e não executaram em tempo hábil os procedimentos recomendados pelo fabricante para abandonar a área de formação severa de gelo e manter a velocidade mínima de segurança. Apesar disso, a investigação ressalta que ambos estavam devidamente habilitados e haviam recebido treinamento específico para esse tipo de operação.

A comissão também apontou problemas na cultura de segurança operacional da Voepass. A análise de mais de 1.200 voos da aeronave revelou registros anteriores de degradação de desempenho, falhas recorrentes no sistema de degelo, reinicializações sucessivas do Airframe De-Icing e alertas que, segundo o relatório, nem sempre recebiam o tratamento adequado pelas tripulações.

Em nota, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) informou que fará uma análise técnica das conclusões e das recomendações encaminhadas pelo Cenipa. O órgão destacou que as investigações têm caráter preventivo e não buscam atribuir culpa ou responsabilização, mas identificar fatores contribuintes e aperfeiçoar a segurança da aviação civil.

Também por meio de nota, a Voepass afirmou que colaborou de forma transparente com as investigações e manifestou solidariedade às famílias das vítimas. A empresa destacou que, em mais de 30 anos de atuação na aviação brasileira, nunca havia enfrentado um acidente dessa magnitude e afirmou que sempre adotou procedimentos voltados à segurança operacional e à capacitação de suas equipes.


Errata: O texto foi atualizado

Diferentemente do que foi informado anteriormente, Danilo Santos Romano não era alagoano. O piloto era natural de São Paulo e tinha residência no bairro da Jatiuca, em Maceió

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