Conteúdo do impresso Edição 1361

ELEIÇÕES 2026

PT articula indicar vice em chapa do MDB com apoio de Lula

Sigla aposta no tamanho da bancada na Assembleia e no tempo de propaganda eleitoral
Divulgação
O deputado estadual Ronaldo Medeiros
O deputado estadual Ronaldo Medeiros

O PT em Alagoas passou a defender a indicação do candidato a vice-governador na possível chapa encabeçada por Renan Filho (MDB) e admite que o apoio do presidente Lula ao palanque do MDB pode integrar a negociação. A discussão foi confirmada pelo presidente estadual da sigla, deputado Ronaldo Medeiros ao EXTRA e deve avançar em reuniões com aliados, que ainda não foram marcadas.

A movimentação ocorre em meio à antecipação do debate sobre a composição majoritária no estado. Tradicionalmente definido próximo às convenções, o tema ganhou força após articulações da oposição ligada ao ex-prefeito de Maceió, JHC, que mantém conversas com o prefeito de Arapiraca, Luciano Barbosa, e com o vice-governador Ronaldo Lessa.

Diante desse cenário, o PT busca ampliar espaço dentro do grupo governista. Segundo Medeiros, o partido entende que chegou o momento de tratar da formação da chapa. Ele afirmou que a legenda integra o mesmo campo político de outras siglas e defende uma composição com participação dos partidos aliados.

O bloco político inclui, além da Federação Brasil formada por PT, PV e PCdoB, partidos como MDB, PSD, PSB e Solidariedade/PRD. O
PDT, que também integra o grupo, pode estabelecer alianças fora desse campo, em busca de votos de indecisos.

O PT sustenta que reúne condições para indicar o vice-governador. Entre os argumentos apresentados estão o tamanho da bancada na Assembleia Legislativa, o tempo de propaganda eleitoral e a mobilização da militância.
A ligação com o governo federal também é citada.

“Chegou a hora do PT ser visto com mais atenção”, afirmou Ronaldo Medeiros, em entrevista ao EXTRA. “Somos do partido do presidente da República, Lula, que em Alagoas sempre ganhou as eleições. E não podemos aceitar menos”, completou.

Em outro momento da entrevista, o deputado confirmou que o partido pretende disputar a vaga de vice, mas evitou antecipar nomes. “Já falei sobre, mas a hora é mais adiante”, disse, ao ser questionado sobre possíveis indicações para compor a chapa majoritária.

Questionado sobre a possibilidade de uma articulação envolvendo o apoio de Lula ao palanque do MDB em troca da indicação do vice, Medeiros não detalhou o formato da negociação. Ele reiterou que o tema será tratado no momento oportuno dentro das discussões com os aliados.

O dirigente confirmou que já tratou do assunto com o senador Renan Calheiros, que preside o MDB em Alagoas. Segundo ele, foi solicitado um encontro com representantes da legenda e dos demais partidos. Até o momento, a reunião ainda não foi marcada.

A definição sobre a composição da chapa depende do avanço das negociações entre as siglas. O debate deve envolver a Federação e
os demais partidos do grupo, além de considerar o cenário político estadual e nacional.

Cenário interno desafiador para eleições proporcionais

Internamente, o PT trabalha com a meta de alcançar entre 160 mil e 180 mil votos, número considerado necessário para garantir
a eleição de um deputado federal,que nesse caso será Paulão. O objetivo é tratado como referência nas projeções feitas pela própria legenda.

O cenário é visto como desafiador diante do desempenho recente. Em 2022, o deputado obteve cerca de 65 mil votos. Além disso, movimentações envolvendo a família Gonçalves, de Rio Largo, geraram instabilidade, como mostrado pelo EXTRA na última edição. A filiação e posterior saída da deputada Gabi Gonçalves e do ex-prefeito Gilberto Gonçalves provocaram reações dentro da legenda.

A possibilidade de entrada do grupo levou à ameaça de saída de aliados. Samia Barbosa e Dudu Albuquerque anunciaram rompimento, formalizado por meio de nota intitulada “Sem Princípios Não há Chapa”. Após o episódio, ambos deixaram o PT e se filiaram ao MDB.


Encontrou algum erro? Entre em contato