Conteúdo do impresso Edição 1364

MAPBIOMAS

Agropecuária avança, desmatamento triplica e urbanização cresce em Alagoas em 20 anos

Levantamento revela aumento da pressão ambiental no estado, com perda de vegetação nativa e expansão urbana em Maceió
Agência Alagoas
Levantamento mostra aumento da pressão ambiental no estado
Levantamento mostra aumento da pressão ambiental no estado

O avanço da degradação ambiental no Brasil nas últimas décadas também deixou marcas em Alagoas. Dados divulgados pelo MapBiomas na quarta-feira, 13, mostram que, entre 2004 e 2024, o estado registrou crescimento do desmatamento, expansão urbana, aumento das áreas não vegetadas e redução da cobertura florestal, em um cenário de maior fragmentação da vegetação nativa.

O levantamento faz parte do módulo de Degradação do MapBiomas, atualizado recentemente pela plataforma. Pela primeira vez, os pesquisadores calcularam a quantidade de fragmentos de vegetação nativa existentes no país. Entre 1986 e 2023, o número passou de 2,7 milhões para 7,1 milhões, um crescimento de 163%.

A fragmentação acontece quando áreas contínuas de vegetação são divididas em partes menores e isoladas, geralmente em consequência do desmatamento, da expansão agropecuária, da urbanização e da abertura de estradas. Segundo os pesquisadores, quanto menores os fragmentos, maior é a vulnerabilidade ambiental dessas áreas.

"O tamanho dos fragmentos de vegetação nativa tem relação direta com a quantidade e variedade da fauna e da flora presente. Cada vez que diminui o tamanho de um fragmento, aumentam os riscos de perda de biodiversidade e extinções locais", afirma Dhemerson Conciani, pesquisador do IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) e coordenador do módulo de degradação do MapBiomas.

Os dados nacionais mostram ainda que o tamanho médio dos fragmentos de vegetação caiu de 241 hectares em 1986 para 77 hectares em 2023, redução de 68%. O cenário é especialmente preocupante na Mata Atlântica, bioma predominante em parte de Alagoas, onde até 28% da vegetação remanescente está concentrada em pequenos fragmentos.

Dentro desse contexto, Alagoas manteve a agropecuária como principal atividade nas áreas mapeadas ao longo das últimas duas décadas. Em 2004, a atividade ocupava 2,08 milhões de hectares, equivalentes a 74,9% das áreas analisadas no estado. Em 2024, o índice passou para 2,06 milhões de hectares, representando 74,3%.

Embora a variação percentual seja pequena, os números mostram a consolidação histórica da agropecuária como principal forma de ocupação do solo alagoano. Ao mesmo tempo, a vegetação nativa perdeu espaço. As áreas de floresta passaram de 607,6 mil hectares em 2004 para 597,8 mil hectares em 2024. A redução, embora moderada, reforça a tendência de pressão contínua sobre os remanescentes vegetais do estado.

Já as áreas não vegetadas praticamente dobraram em 20 anos. Em 2004, ocupavam 37,2 mil hectares, o equivalente a 1,3% das áreas analisadas. Em 2024, chegaram a 63,1 mil hectares, representando 2,3%. O crescimento está relacionado principalmente ao avanço urbano, expansão de infraestrutura, abertura de novas áreas e aumento de solo exposto. Especialistas apontam que esse tipo de transformação altera a dinâmica ambiental, reduz a infiltração da água no solo e amplia os impactos climáticos em áreas urbanas.

O dado mais expressivo do levantamento em Alagoas é o crescimento do desmatamento acumulado. Em 2004, o estado contabilizava 12,2 mil hectares desmatados. Em 2024, o número saltou para 36,9 mil hectares. Na prática, o desmatamento mais que triplicou em duas décadas, registrando aumento de aproximadamente 202% (gráfico ao lado).

Na capital alagoana, os dados também mostram expansão da urbanização. Maceió possuía 9.728 hectares de área urbanizada em 2004. Em 2024, o índice chegou a 11.328 hectares, crescimento de 16,4%. Com os números atuais, Maceió ocupa a 38ª posição entre os municípios brasileiros com maior área urbanizada. O ranking nacional é liderado por São Paulo, com 90,5 mil hectares urbanizados, seguido por Brasília, com 62,7 hectares, e Rio de Janeiro, com 59,7 mil hectares.

Entre as capitais nordestinas, Fortaleza aparece entre as dez maiores áreas urbanizadas do país, com 25 mil hectares.

Risco climático nas áreas urbanas

O levantamento também avaliou o risco climático em áreas urbanas suscetíveis a inundação, alagamento e enxurradas em Maceió. Entre 2004 e 2024, os indicadores permaneceram praticamente estáveis. As áreas classificadas como risco médio continuaram representando cerca de 43% das áreas analisadas. Já as classificadas como risco alto e muito alto permaneceram próximas de 28% cada.

Em 2004, as áreas classificadas com risco médio representavam 4 hectares, equivalentes a 43,1% das áreas urbanas analisadas. Já as áreas de risco muito alto somavam 3 hectares (28,5%), enquanto as de risco alto também correspondiam a 3 hectares (28,4%). Em 2024, o cenário praticamente não apresentou mudanças. As áreas de risco médio permaneceram com 4 hectares, representando 43% do total. As áreas de risco muito alto continuaram com 3 hectares (28,6%), enquanto as classificadas como risco alto mantiveram 3 hectares (28,4%).


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