RADAR DA ENXAQUECA
Dor de cabeça crônica afeta 23 milhões no Brasil
Outros 27 milhões de pessoas podem conviver com a doença sem saber
A enxaqueca afeta milhões de brasileiros e continua subdiagnosticada no país. Levantamento da pesquisa Radar da Enxaqueca, realizada pela Teva Brasil, revela que cerca de 23 milhões de pessoas já receberam diagnóstico da doença no Brasil. No entanto, outros 27 milhões podem conviver com sintomas compatíveis com enxaqueca sem confirmação médica, elevando para mais de 50 milhões o número estimado de brasileiros impactados pelo problema.
O estudo mostra que a enxaqueca vai muito além de uma simples dor de cabeça. Considerada uma doença neurológica crônica e incapacitante, ela pode provocar dores intensas, náuseas, vômitos, tontura e sensibilidade à luz, sons e cheiros, comprometendo diretamente a vida profissional, social e emocional dos pacientes.
Entre os brasileiros sem diagnóstico, 26% afirmam sentir “a pior dor que podem imaginar”, mesmo continuando a trabalhar e manter atividades diárias durante as crises. A banalização dos sintomas, associada à automedicação e à dificuldade de acesso ao acompanhamento especializado, contribui para atrasos no diagnóstico e no tratamento adequado.
A pesquisa também aponta desigualdades importantes no acesso à saúde, principalmente no Nordeste, entre pessoas negras e nas classes sociais mais baixas. Muitos pacientes abandonam o acompanhamento médico e convivem durante anos com crises recorrentes, que podem durar horas ou até dias e comprometer significativamente a qualidade de vida.
Segundo a médica Irina Raicher, gerente médica da Teva Brasil, a percepção de que a enxaqueca seria apenas uma “dor de cabeça comum” é equivocada e perigosa.
“A enxaqueca é uma doença neurológica crônica e incapacitante. Além da dor intensa, as crises podem provocar náuseas, vômitos, tontura, sensibilidade à luz, sons e cheiros, comprometendo significativamente a qualidade de vida dos pacientes”, explica.
Ela destaca que o cérebro da pessoa com enxaqueca fica mais sensível aos estímulos do ambiente e que, em muitos casos, a doença interfere diretamente na vida profissional, social e até nas tarefas mais simples do cotidiano.
A especialista afirma que a banalização dos sintomas faz com que muitas pessoas convivam durante anos com crises recorrentes sem procurar ajuda médica. “A falta de informação, o acesso limitado a neurologistas especializados e os estigmas relacionados à doença contribuem para o atraso no diagnóstico e no tratamento adequado”, ressalta.
Outro fator preocupante é o uso frequente da automedicação. Sem orientação médica, pacientes tentam controlar os sintomas por conta própria e acabam adiando o diagnóstico correto da doença.
SINTOMAS VÃO ALÉM DA DOR DE CABEÇA
De acordo com a Dra. Irina Raicher, a enxaqueca possui características próprias que ajudam a diferenciá-la de uma dor de cabeça comum. A dor costuma ser pulsátil, de moderada a intensa, frequentemente concentrada em um lado da cabeça.
Além disso, os pacientes podem apresentar náuseas, vômitos, sensibilidade à luz, aos sons e aos cheiros, fadiga e dificuldade de concentração. Em alguns casos, surgem alterações visuais ou sensoriais antes das crises, quadro conhecido como aura.
Os episódios podem durar horas ou até dias e frequentemente limitam atividades como trabalho, estudos e convivência social.
A pesquisa também revela que as mulheres são as mais afetadas pela doença. Elas representam 75% das pessoas diagnosticadas com enxaqueca, proporção quase três vezes maior do que a observada entre os homens.
Segundo a especialista, a maior incidência está relacionada principalmente às oscilações hormonais, especialmente dos níveis de estrogênio. Ciclo menstrual, gravidez, menopausa e uso de anticoncepcionais podem influenciar tanto a frequência quanto a intensidade das crises.
Além das alterações hormonais, fatores emocionais, sobrecarga da rotina e estresse também podem contribuir para o agravamento dos sintomas.
A recomendação médica é que pessoas com dores de cabeça frequentes, intensas ou associadas a sintomas como enojo, sensibilidade à luz e dificuldade de concentração procurem avaliação especializada. O diagnóstico precoce pode melhorar significativamente a qualidade de vida e reduzir o impacto das crises no dia a dia.



