CNM REVELA
Cultura em Alagoas tem um dos piores índices de planejamento do Nordeste
Apenas 36,8% dos municípios alagoanos possuem plano para o setor
A estruturação das políticas culturais ainda é um desaf io para a maioria dos municípios alagoanos. Levantamento da Confederação Nacional de Municípios (CNM) mostra que 57,9% das cidades de Alagoas possuem órgão gestor exclusivo para a área da cultura, indicando que mais da metade dos municípios conta com uma estrutura administrativa específica para o setor. Apesar disso, apenas 36,8% possuem Plano Municipal de Cultura, instrumento considerado fundamental para definir metas, organizar investimentos e garantir acesso a recursos públicos. Outros 52,6% dos municípios alagoanos informaram não possuir o plano, enquanto 10,5% não responderam à pesquisa.
O desempenho de Alagoas está abaixo da média nordestina e coloca o estado entre os piores resultados da região quando o assunto é planejamento cultural. Entre os estados do Nordeste, os maiores percentuais de municípios com plano de cultura foram registrados no Ceará (57,5%), Piauí (53,1%) e Sergipe (52,4%). Em seguida aparecem Pernambuco (43,5%), Bahia (42,6%) e Paraíba (42,6%). Alagoas, com 36,8%, supera apenas Maranhão (36,7%) e Rio Grande do Norte (29,4%).
O estudo foi realizado entre dezembro de 2025 e fevereiro de 2026 e ouviu gestores de 1.515 municípios brasileiros, o equivalente a 27,4% das cidades do país. Em Alagoas, participaram 17% dos municípios.
Apesar das dificuldades relacionadas ao planejamento cultural, a pesquisa revela que os festejos populares continuam sendo uma das principais ferramentas de promoção da cultura e movimentação econômica nos municípios brasileiros. Cerca de 94% das cidades consultadas afirmaram possuir eventos festivos em seus calendários oficiais.
Entre as celebrações mais comuns estão os festejos cívicos, presentes em 91% dos municípios pesquisados, e as festas juninas, realizadas em 90% das localidades. Também aparecem com destaque os eventos religiosos (90%), os festejos regionais (72%), os folclóricos (69%) e as exposições e eventos agropecuários (49%).
A pesquisa mostra ainda que nove em cada dez prefeituras investem recursos públicos na realização dessas festividades. Do total, 67% dos municípios informaram aplicar pelo menos R$ 100 mil nos eventos culturais promovidos ao longo do ano.
Os gestores municipais apontaram que os principais resultados dos festejos são a expansão do turismo e do comércio local, além da boa avaliação da população. Cerca de 74% dos entrevistados afirmaram que os eventos contribuem para a geração de empregos, enquanto 73% identificaram aumento na arrecadação municipal durante os períodos festivos.
Segundo o presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, os números demonstram que as festividades vão além da preservação cultural. “Esses resultados evidenciam que as festividades desempenham um papel relevante na dinamização das atividades econômicas locais, ampliando a circulação de renda especialmente em setores como comércio, serviços e turismo. Por outro lado, evidencia a necessidade de planejamento e transparência na aplicação dos recursos destinados às festividades”, avaliou.
Para a CNM, a consolidação de instrumentos como planos, fundos e conselhos municipais de cultura é essencial para que os municípios consigam fortalecer suas políticas culturais e aproveitar de forma mais eficiente o potencial econômico gerado pelos eventos e manifestações culturais locais.



