OBESIDADE INFANTIL
Excesso de peso já atinge mais de 100 mil crianças em Alagoas
Especialistas reforçam a importância da prevenção desde os primeiros anos de vida
No mês em que é celebrado o Dia da Conscientização contra a Obesidade Infantil, em 3 de junho, os dados acendem um alerta em Alagoas. Levantamento do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan), do Ministério da Saúde, mostra que 100.514 crianças de 0 a 9 anos apresentavam algum grau de excesso de peso no estado em 2025, incluindo casos de sobrepeso, obesidade e obesidade grave.
O número representa cerca de 33% das crianças acompanhadas nessa faixa etária. Na prática, uma em cada três crianças alagoanas está acima do peso considerado adequado para a idade, um cenário que preocupa especialistas e reforça a necessidade de ações preventivas ainda na primeira infância.
A situação observada em Alagoas acompanha uma tendência nacional. Dados do Sisvan apontam que o Brasil registra mais de 1,1 milhão de crianças com obesidade e outras 783 mil com obesidade grave. O problema também chama a atenção de organismos internacionais. Segundo projeções do Atlas Global da Obesidade e da Organização Mundial da Saúde (OMS), o país poderá ocupar, até 2030, a quinta posição mundial em número de crianças e adolescentes obesos caso não haja avanço nas políticas de prevenção.
Para a pediatra Mariana Grigoletto, membro da Organização Nacional de Acreditação (ONA), a obesidade infantil deixou de ser uma condição isolada para se tornar um dos principais desafios da saúde pública.
“Além dos impactos imediatos na infância, o excesso de peso aumenta significativamente o risco de doenças crônicas na adolescência e na vida adulta, como diabetes tipo 2, hipertensão arterial e problemas cardiovasculares”, afirma.
Impactos vão além da saúde física
As consequências da obesidade infantil não se limitam ao organismo. Crianças com excesso de peso também estão mais suscetíveis a dificuldades emocionais e sociais, incluindo baixa autoestima, ansiedade e situações de bullying no ambiente escolar.
Embora a maioria das crianças avaliadas pelo Sisvan esteja dentro da faixa considerada adequada de peso, os dados mostram que o problema merece atenção. Em nível nacional, cerca de 37% das crianças apresentam algum tipo de alteração nutricional relacionada ao excesso de peso.
Segundo Mariana Grigoletto, o acompanhamento pediátrico regular é fundamental para identificar precocemente mudanças no crescimento e permitir intervenções antes que o quadro se agrave.
“Quando identificamos alterações nos hábitos e no peso da criança logo no início, conseguimos orientar a família e reduzir os riscos de que a obesidade se mantenha na vida adulta”, explica.
Entre os fatores apontados pelos especialistas está a mudança no padrão alimentar das famílias brasileiras. Dados do Sisvan indicam aumento no consumo de alimentos ultraprocessados e bebidas açucaradas durante a infância.
Produtos ricos em açúcar, gordura e sódio vêm substituindo alimentos naturais, como frutas, verduras e legumes, comprometendo a qualidade nutricional da alimentação infantil.
Na avaliação da pediatra, a obesidade está diretamente relacionada ao ambiente em que a criança vive. “Na prática clínica, observamos que a obesidade raramente acontece de forma isolada. Ela está ligada aos hábitos alimentares, à rotina familiar e ao estilo de vida. Pequenas mudanças consistentes nos primeiros anos de vida podem produzir impactos duradouros na saúde física e emocional”, destaca.
Como prevenir
Especialistas recomendam que a prevenção comece dentro de casa, por meio de hábitos simples e permanentes:
• Priorizar alimentos in natura ou minimamente processados
• Incentivar o consumo diário de frutas, verduras e legumes
• Reduzir refrigerantes, bebidas açucaradas e produtos industrializados
• Limitar o consumo de alimentos ultraprocessados
• Estimular atividades físicas e brincadeiras ao ar livre
• Diminuir o tempo de exposição a telas, como celulares, tablets e televisão e manter acompanhamento regular com pediatras e profissionais de saúde.
De acordo com especialistas, o combate à obesidade infantil depende da participação conjunta das famílias, escolas, profissionais de saúde e do poder público. O desafio é promover hábitos mais saudáveis desde os primeiros anos de vida e reduzir o risco de doenças associadas ao excesso de peso nas futuras gerações.



