Conteúdo do impresso Edição 1369

OBESIDADE INFANTIL

Excesso de peso já atinge mais de 100 mil crianças em Alagoas

Especialistas reforçam a importância da prevenção desde os primeiros anos de vida
SISVAN
Pesquisa do SISVAN aponta avanço do excesso de peso infantil no Brasil
Pesquisa do SISVAN aponta avanço do excesso de peso infantil no Brasil

No mês em que é celebrado o Dia da Conscientização contra a Obesidade Infantil, em 3 de junho, os dados acendem um alerta em Alagoas. Levantamento do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan), do Ministério da Saúde, mostra que 100.514 crianças de 0 a 9 anos apresentavam algum grau de excesso de peso no estado em 2025, incluindo casos de sobrepeso, obesidade e obesidade grave.

O número representa cerca de 33% das crianças acompanhadas nessa faixa etária. Na prática, uma em cada três crianças alagoanas está acima do peso considerado adequado para a idade, um cenário que preocupa especialistas e reforça a necessidade de ações preventivas ainda na primeira infância.

A situação observada em Alagoas acompanha uma tendência nacional. Dados do Sisvan apontam que o Brasil registra mais de 1,1 milhão de crianças com obesidade e outras 783 mil com obesidade grave. O problema também chama a atenção de organismos internacionais. Segundo projeções do Atlas Global da Obesidade e da Organização Mundial da Saúde (OMS), o país poderá ocupar, até 2030, a quinta posição mundial em número de crianças e adolescentes obesos caso não haja avanço nas políticas de prevenção.

Para a pediatra Mariana Grigoletto, membro da Organização Nacional de Acreditação (ONA), a obesidade infantil deixou de ser uma condição isolada para se tornar um dos principais desafios da saúde pública. 

“Além dos impactos imediatos na infância, o excesso de peso aumenta significativamente o risco de doenças crônicas na adolescência e na vida adulta, como diabetes tipo 2, hipertensão arterial e problemas cardiovasculares”, afirma. 

Impactos vão além da saúde física

As consequências da obesidade infantil não se limitam ao organismo. Crianças com excesso de peso também estão mais suscetíveis a dificuldades emocionais e sociais, incluindo baixa autoestima, ansiedade e situações de bullying no ambiente escolar. 

Embora a maioria das crianças avaliadas pelo Sisvan esteja dentro da faixa considerada adequada de peso, os dados mostram que o problema merece atenção. Em nível nacional, cerca de 37% das crianças apresentam algum tipo de alteração nutricional relacionada ao excesso de peso.

Segundo Mariana Grigoletto, o acompanhamento pediátrico regular é fundamental para identificar precocemente mudanças no crescimento e permitir intervenções antes que o quadro se agrave.

“Quando identificamos alterações nos hábitos e no peso da criança logo no início, conseguimos orientar a família e reduzir os riscos de que a obesidade se mantenha na vida adulta”, explica.

Entre os fatores apontados pelos especialistas está a mudança no padrão alimentar das famílias brasileiras. Dados do Sisvan indicam aumento no consumo de alimentos ultraprocessados e bebidas açucaradas durante a infância. 

Produtos ricos em açúcar, gordura e sódio vêm substituindo alimentos naturais, como frutas, verduras e legumes, comprometendo a qualidade nutricional da alimentação infantil.

Na avaliação da pediatra, a obesidade está diretamente relacionada ao ambiente em que a criança vive. “Na prática clínica, observamos que a obesidade raramente acontece de forma isolada. Ela está ligada aos hábitos alimentares, à rotina familiar e ao estilo de vida. Pequenas mudanças consistentes nos primeiros anos de vida podem produzir impactos duradouros na saúde física e emocional”, destaca.

Como prevenir

Especialistas recomendam que a prevenção comece dentro de casa, por meio de hábitos simples e permanentes: 

• Priorizar alimentos in natura ou minimamente processados 

• Incentivar o consumo diário de frutas, verduras e legumes

• Reduzir refrigerantes, bebidas açucaradas e produtos industrializados

• Limitar o consumo de alimentos ultraprocessados 

• Estimular atividades físicas e brincadeiras ao ar livre 

• Diminuir o tempo de exposição a telas, como celulares, tablets e televisão e manter acompanhamento regular com pediatras e profissionais de saúde. 

De acordo com especialistas, o combate à obesidade infantil depende da participação conjunta das famílias, escolas, profissionais de saúde e do poder público. O desafio é promover hábitos mais saudáveis desde os primeiros anos de vida e reduzir o risco de doenças associadas ao excesso de peso nas futuras gerações.


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