Conteúdo do impresso Edição 1371

SINAL VERMELHO

Violência contra idosos cresce 23% em Alagoas e já soma 5,5 mil violações

Em apenas seis meses, Maceió concentra quase metade dos registros e especialistas reforçam a importância das denúncias para proteger as vítimas
Divulgação
Alagoas registra aumento de 23% nos casos de violência contra idosos, segundo levantamento.
Alagoas registra aumento de 23% nos casos de violência contra idosos, segundo levantamento.

O número de violações contra pessoas idosas em Alagoas cresceu 23,2% no primeiro semestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano passado. Dados do Painel do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) mostram que o estado registrou 5.598 violações entre janeiro e junho deste ano, contra 4.543 no mesmo intervalo de 2025. Apesar da alta nos registros de violações, apenas 590 denúncias foram formalizadas pelos canais oficiais de atendimento.

Segundo o MDHC, o termo “violação” engloba qualquer ato que atente contra os direitos humanos da vítima, incluindo maus-tratos, negligência, abandono, violência física, psicológica, sexual, exploração financeira, violência patrimonial, discriminação e outras formas de abuso.

A capital alagoana concentra quase metade das ocorrências registradas no estado. Maceió contabilizou 2.451 violações no primeiro semestre deste ano, um aumento de 31,2% em relação às 1.868 registradas no mesmo período de 2025.

Entre os principais municípios do interior, os dados apresentam comportamentos distintos. Em Arapiraca, os registros caíram de 712 para 481 casos. Já em Rio Largo, houve redução de 120 para 99 ocorrências no comparativo entre os dois primeiros semestres.  

O crescimento dos casos acompanha o envelhecimento da população alagoana. De acordo com o último Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o estado passou de aproximadamente 380 mil para mais de 400 mil idosos na última década. Atualmente, Alagoas possui 259.583 pessoas com mais de 65 anos, o equivalente a 8,3% da população.

Os dados são divulgados no mês da campanha Junho Violeta, movimento internacional de conscientização sobre a violência contra a pessoa idosa. A iniciativa tem como principal marco o Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa, celebrado em 15 de junho, data instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU). A mobilização busca alertar a sociedade para as diversas formas de violência que atingem esse público e incentivar a denúncia de casos muitas vezes praticados dentro da própria família ou em instituições responsáveis pelos cuidados. 

Além das agressões físicas, a campanha chama atenção para situações de negligência, abandono, violência psicológica, exploração financeira, violência institucional, discriminação e outras violações que frequentemente permanecem invisíveis. Especialistas alertam que, com o envelhecimento da população brasileira, o fortalecimento da rede de proteção aos idosos se torna cada vez mais necessário. 

Segundo a coordenadora do curso de Direito da Faculdade Anhanguera, Keler Mendes, as formas mais frequentes de violência contra idosos incluem agressões físicas, abuso psicológico, negligência, abandono, violência institucional, abuso financeiro, violência patrimonial, violência sexual e discriminação.

Segundo a especialista, denunciar é fundamental para interromper o ciclo de violência e garantir a proteção da vítima. “É uma forma de afastar o agressor da vítima e responsabilizá-lo pelos atos praticados. Além disso, a pessoa idosa passa a ter acesso à assistência jurídica, acolhimento, acompanhamento psicológico e demais serviços de proteção, fundamentais para a recuperação dos traumas”, afirma.

As denúncias podem ser feitas gratuitamente pelo Disque 100, canal da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos que funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana, com garantia de sigilo e possibilidade de anonimato. O serviço também está disponível pelo WhatsApp (61) 99611-0100, pelo Telegram, por meio da busca por “DireitosHumanosBrasil”, além do portal e do aplicativo Direitos Humanos Brasil. Pessoas surdas ou com deficiência auditiva também podem registrar denúncias por videochamada em Libras.


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