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Famílias que vivem da pesca do sururu terão moeda própria

Terminaram, na sexta-feira, 5, as primeiras capacitações para implantação da moeda social no Projeto Maceió Inclusiva Através da Economia Circular, que visa estruturação sustentável da cadeia produtiva do sururu e a melhoria da qualidade de vida das famílias que sobrevivem da pesca do marisco. A iniciativa é realizada em parceria com a Prefeitura de Maceió, proponente do projeto, por meio da Secretaria Municipal de Turismo, Esporte e Lazer (Semtel).
A atividade faz parte de uma das mais importantes etapas do projeto, que deve criar um modelo de negócio inovador pautado na sustentabilidade, com ações estruturais e planejamento estratégico para ativação de um mercado comunitário onde os resíduos do sururu sejam trocados por uma moeda social.
O avanço do projeto, segundo o titular da Semtel, Jair Galvão, foi possível devido a importantes parceiros do poder público e da iniciativa privada. “A atuação direta de cada parceiro em um arranjo institucional engajado para o sucesso de cada etapa do projeto é fundamental para que o Maceió Inclusiva consiga atingir seu maior objetivo, que é melhorar a qualidade de vida da população pesqueira e do produto comercializado. A implantação da moeda social é um marco para o desenvolvimento turístico, social e econômico de Maceió”, avaliou o gestor.
De acordo com a diretora do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento e Sustentabilidade (Iabs), Jannyne Barbosa, as capacitações apresentaram os primeiros passos da implantação da moeda a 25 famílias beneficiárias, além de representantes do comitê gestor e da ONG Manda Ver. “O primeiro momento é de qualificação das pessoas que vão participar ativamente do processo. Após um mês devemos ampliar o público para o dobro de famílias, que também serão capacitadas sobre a dinâmica da implantação. A expectativa é que em setembro tenha início a fase de teste com a moeda social em circulação”, explicou.
Ainda segundo Jannyne, o novo modelo de mercado incentiva o reaproveitamento das cascas do sururu em outras cadeias produtivas, como a agricultura e a construção civil. A ideia é incentivar a comunidade a trocar o resíduo do marisco pela moeda, que dará às famílias acesso a uma série de produtos e serviços, como produtos de alimentação, material de higiene, artigos de saúde e serviços de lazer. “Tudo está sendo construído com a participação dos beneficiários, que vão identificar o que consideram de interesse para a comunidade. A partir dessa discussão e alinhamento, construiremos uma rede de parceiros que dará subsídio à dinâmica da moeda social”, destacou a diretora do Iabs.
Outro ciclo de capacitações será realizado na próxima semana com as marisqueiras e pescadores da região e dará continuidade à qualificação das famílias para começarem a usar a casca do marisco considerado Patrimônio Imaterial de Alagoas como moeda de troca.
Maceió Inclusiva
Com o propósito de transformar, ordenar e estruturar a atividade pesqueira em pontos estratégicos da capital alagoana, como a Lagoa Mundaú e o Jaraguá, o Maceió Inclusiva Através da Economia Circular conta com a participação da Prefeitura de Maceió, por meio da Semtel, Superintendência Urbana de Desenvolvimento Sustentável Maceió (Sudes) e Secretaria Municipal de Trabalho, Abastecimento e Economia Solidária (Semtabes), além da parceria com o IABS, Sebrae e Braskem e o apoio do Instituto Desenvolve e do projeto social Manda Ver.
O projeto já passou por diversas etapas, como o levantamento socioeconômico das comunidades beneficiadas, diagnóstico do produto comercializado, implantação de um novo modelo de cultivo do sururu, diversas capacitações e um prêmio de incentivo a instituições de pesquisa, iniciativa privada, sociedade civil organizada e empreendedores individuais que apresentaram soluções inovadoras para o reaproveitamento da casca do sururu.