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"Me entreguei porque estava na hora", declara Baixinho Boiadeiro
José Márcio Cavalcante de Melo recebeu voz de prisão durante um júri popular
Foragido desde 2017, José Márcio Cavalcante de Melo, mais conhecido como Baixinho Boiadeiro, recebeu voz de prisão durante um júri popular realizado nesta segunda-feira (4), no Fórum do Barro Duro, em Maceió. "Me entreguei porque estava na hora, já fugi demais"
Ele, seu irmão José Anselmo Cavalcanti de Melo, o "Preto Boiadeiro", e o amigo Thiago Ferreira dos Santos, conhecido como "Pé de Ferro", são acusados pelo assassinato de Samuel Theomar Bezerra Cavalcante e do sargento reformado da Polícia Militar Edvaldo Joaquim de Matos, respectivamente cunhado e segurança do ex-prefeito de Batalha e atual deputado estadual Paulo Dantas (MDB).
Os crimes ocorreram no município sertanejo de Batalha, em 2006. Baixinho estava foragido desde o final de 2017, quando foi acusado de tentar matar o empresário José Emílio Dantas e de assassinar o vereador de Batalha Tony Pretinho
As duas ocorrências seriam uma reação de vingança: Baixinho consideraria a Família Dantas e Pretinho os responsáveis pelo assassinato do pai, o também vereador pelo município, Adelmo Rodrigues de Melo, o Neguinho Boiadeiro. Desde então, a família de Baixinho luta para provar sua inocência.
Segundo o advogado do acusado, Raimundo Palmeira,"Baixinho irá cumprir o mandado de prisão o quanto for necessário". "Ele não deve em nenhuma das acusações", ressaltou.
Julgamento
O juiz John Silas da Silva, que é titular da 8ª Vara e preside o júri, estima que a sessão pode se estender até a manhã da terça-feira. Até o final da manhã desta segunda, foram ouvidos a vítima sobrevivente e três testemunhas, restando outras quatro testemunhas intimadas e os três réus. Após as oitivas, acontece o debate entre defesa e acusação, que pode durar cinco horas.
Questionadas, as testemunhas relataram que acusados e vítimas estavam bares vizinhos no centro da cidade, e o conflito começou quando a mulher identificada como Karen, que acompanhava Emanuel Boiadeiro na ocasião, iniciou discussão com Marina Dantas, hoje prefeita de Batalha e esposa de Paulo Dantas.
A denúncia do Ministério Público Estadual (MPE) diz que Emanuel Messias de Melo Araújo, o Emanuel Boiadeiro, já falecido, teria efetuado os disparos contra as três vítimas. Mas o promotor Antônio Villas Boas sustenta que todos são culpados.
“Quem participa do crime não é somente aquele que aciona o gatilho e atira contra a vítima, mas todos aqueles que de qualquer forma concorreram para a ação delituosa. Todos os réus aqui presentes concorreram e atiraram contra o veículo onde se encontravam as vítimas, e agiram como espécie de garantidores do executor material”, disse o representante do MPE.
O advogado Raimundo Palmeira faz a defesa dos três réus e buscará convencer os jurados de que eles não participaram. “O réu responsável pelo homicídio se apresentou, muito posteriormente, e confessou o crime. As testemunhas são praticamente unânimes em dizerem que estes réus não participaram da empreitada”, disse.
“Não se pode condenar alguém pelo nome da família” argumentou ainda Palmeira, em referência a reputação de ser violenta que a família carrega. Foi acusado ainda nesse crime José Marcos Silvino dos Santos, mas ele também já é falecido.
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