GRILAGEM

Perícia confirma que Álvaro Vasconcelos invadiu Fazenda Duas Bocas

Herdeiros do agricultor Antônio Cândido confiam que após 40 anos justiça será feita
Divulgação/Arquivo
Perícia realizada nas terras confirmam invasão denunciada pela família há 40 anos
Perícia realizada nas terras confirmam invasão denunciada pela família há 40 anos

Com voz embargada e em tom de desabafo e esperança, um filho do agricultor Antônio Candido José da Silva comemora o resultado da perícia realizada por determinação judicial na Fazenda Duas Bocas, no Benedito Bentes, em Maceió. O estudo confirma que as terras invadidas pelo empresário Álvaro José do Monte Vasconcelos pertencem aos herdeiros do agricultor. Agora, a ação, que se arrasta há 40 anos, caminha para um desfecho favorável aos verdadeiros donos das terras.

Na realização do trabalho, foi feito um estudo prévio do processo e solicitados documentos das partes envolvidas para as informações necessárias para realização do laudo pericial. O levantamento topográfico, sob a responsabilidade do engenheiro civil Ciro Rezende Medeiros, foi realizado em 27 de agosto deste ano. Para a identificação, foram analisados escritura, imagens de satélites e relatório fotográfico da área. 

“Conforme fotografias registradas no dia da perícia juntamente com o trabalho de topografia realizado, juntamente com seu memorial descritivo, reforça o que se segue na escritura da terra em questão, que a terra a ser discutida é segundo o levantamento topográfico, pertencente à Fazenda Duas Bocas, adquirida por Antônio Cândido José da Silva”, diz parecer conclusivo. O advogado da família do agricultor, João Uchôa, disse que, se havia dúvida, agora a invasão foi comprovada. E assim, diante do resultado da perícia, enviou requerimento à Justiça pedindo homologação da perícia com reintegração da terra, condenação de pagamento de perda e danos e uso indevido das terras. “Pedimos que o imóvel seja reintegrado aos verdadeiros donos e indenização por uso indevido da propriedade desde 1984”, afirmou Uchôa.

Durante essas quase quatro décadas de lutas pela posse de terra, já foram nomeados quase 20 peritos que não quiseram ou não puderam fazer o serviço. Agora, com este passo importante, a família se mostra confiante de que justiça tarda, mas não falha. “Agradeço a Deus por ter colocado em nosso caminho um juiz ilibado e honesto como doutor Cícero, o perito de coragem e honradez como doutor Ciro e todos que sempre acreditaram na Justiça”, disse um parente de Antônio Cândido. 

Diante das provas, os herdeiros do agricultor acreditam que logo terão suas terras de volta. “Vejo como mais uma etapa do processo vencida, que está perto da conclusão. A prova técnica científica foi encontrada e a perícia concluiu que a invasão aconteceu. O nosso tempo de luta foi muito grande, mas agora graças a Deus encontramos uma pessoa de bem que fez o trabalho sério e o laudo concluiu que o réu inva[1]diu a nossa área sim”, afirmou um dos filhos. E acrescentou que irão aguardar os novos acontecimentos do processo. “Estamos confiantes em Deus e nos homens de bem que conduzem esse trabalho e a todos que colaboraram com a gente em busca da verdade. A verdade vencerá”. 

A via crucis da família teve início em 1984 quando homens a serviço de Álvaro Vasconcelos invadiram a propriedade do agricultor, colocaram máquinas para devastar as terras e expulsaram a família da área. Inconformado com tamanha atrocidade, Antonio Cândido buscou a justiça de imediato e ajuizou uma ação contra o empresário com denúncia de grilagem e pedido de reintegração de posse. Porém, nada foi feito para reverter a situação. O que chama a atenção é que o processo 0005763-13.1984 tem prioridade de julgamento, mas isso é apenas um detalhe diante de tantas irregularidades. A luta de Antônio Cândido chegou ao fim em 2001 com sua morte, mas a batalha não.

Conforme disse um herdeiro, ele faleceu por não aguentar tamanha injustiça. Lutou muito, apresentou provas, enfrentou o poderio econômico e foi vencido “pelo desgosto”. E é em nome dessa busca por justiça que os familiares continuam a batalha, com a certeza de que um dia os 150 hectares de terra voltam para seus verdadeiros donos. O EXTRA manteve contato com o empresário Álvaro Vasconcelos que afirmou que estava no interior do estado e só retornaria na próxima segunda-feira.

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