CRIME AMBIENTAL

Aterro de mangue revolta moradores da praia de Garça Torta

Depredação já afeta fauna local; laudo também confirma poluição
José Fernando Martins
Parte do mangue foi aterrado
Parte do mangue foi aterrado

No bairro de Garça Torta, localizado no Litoral Norte de Maceió, uma comunidade enfrenta um impasse envolvendo a degradação de manguezais e a alteração do curso de um riacho. Marival Nascimento, residente há quatro décadas na região, relembra com saudade a época em que a localidade era cercada por vastos manguezais. Hoje, seu bar à beira-mar, que recebe turistas e banhistas da capital, convive com a crescente urbanização que progressivamente substituiu o mangue por casas e condomínios. 

O foco do embate recai sobre o Condomínio Residencial Morada da Garça, que ganhou notoriedade recentemente nos meios de comunicação. O motivo? A ação de aterrar e modificar o curso do Riacho Garça Torta, uma iniciativa que alarmou os moradores locais. Em resposta, a comunidade mobilizouse em um protesto demandando a atenção das autoridades para a preservação do ecossistema.

“Quando cheguei aqui, tinha muito caranguejo-uçá, tainha. Acabou. Isso aconteceu depois do condomínio e das outras construções”, lamenta Marival, que expressou preocupação ao testemunhar trabalhadores contratados pelo condomínio realizando aterramentos no mangue. Sua inquietação o levou a questionar sua propriedade sobre o mangue em questão. Como resposta, teve a seguinte contestação de um funcionário: “A senhora é dona do mangue?”. O caso ganhou proporções judiciais, alcançando o Ministério Público Federal (MPF). 

As acusações apontam para uma coordenação entre o Condomínio Garça Torta e o Instituto do Meio Ambiente (IMA) na execução das mudanças. O condomínio alega que a intervenção era necessária para prevenir processos erosivos que ameaçavam a vegetação de restinga em frente ao empreendimento, colocando a estrutura das edificações em risco. Contudo, alega-se que a intervenção carece de avaliação ambiental completa e pode levar à degradação dos manguezais e à perda da biodiversidade local. As preocupações incluem não somente a mudança do curso do riacho, mas também a poluição das águas. 

Denis Angola, professor de capoeira, revelou que análises físico-químicas conduzidas pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal) identificaram poluentes nas águas do mangue, incluindo espuma malcheirosa que indica possível contaminação tornando o local impróprio para banho.

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