BAIRROS AFUNDANDO

Polícia Federal cria grupo de trabalho para investigar Braskem em Maceió

Grupo envolve especialistas em geologia, engenharia, biologia, geofísica
Afrânio Bastos
Mina 18, da Braskem, no bairro do Mutange
Mina 18, da Braskem, no bairro do Mutange

A Polícia Federal (PF) anunciou ontem, 6, a formação de um grupo de trabalho (GT) dedicado à investigação dos crimes relacionados à Braskem, que resultaram no afundamento do solo em cinco bairros de Maceió.

O GT, composto por delegados e agentes especializados, foi constituído em resposta a uma solicitação do Ministério Público Federal de Alagoas (MPF/AL).

O time diversificado do GT abrange expertises em geologia, engenharia, biologia, geofísica, entre outras áreas. A investigação, liderada pela superintendência da PF em Alagoas, recebe apoio de unidades em todo o Brasil.

O inquérito policial, instaurado em 5 de setembro de 2019, foi motivado pela publicação dos "Estudos Sobre a Instabilidade do Terreno nos bairros Pinheiro, Mutange e Bebedouro, Maceió", pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM) em abril de 2019.

Esses estudos cientificamente vincularam os fenômenos geológicos na capital alagoana à exploração de sal-gema pela Braskem, dando origem a rachaduras, fissuras e afundamento do solo.

A PF informou que o inquérito aborda crimes como poluição qualificada, usurpação de recursos da União e apresentação de estudos ambientais falsos ou enganosos.

Entenda o caso

O afundamento do solo acontece em área onde houve extração de sal-gema, cloreto de sódio usado para produzir soda cáustica e PVC. A exploração de sal-gema na área começou na década de 1970 e foi encerrada em 2019 após o primeiro tremor em 2018 — no total, são 35 minas.

Maceió decretou estado de emergência na semana passada, depois que o afundamento do solo acelerou. O presidente em exercício, Geraldo Alckmin (PSB), permitiu que a capital alagoana faça um empréstimo de US$ 40 milhões.

A petroquímica nunca assumiu oficialmente a responsabilidade pelo afundamento do solo na área onde ficam as minas. Apesar disso, pagou R$ 9,2 bilhões desde 2020 como compensação financeira em decorrência de um acordo de desocupação de áreas de risco. E já foi multada 20 vezes pelo Instituto do Meio Ambiente do Estado de Alagoas.

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