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Fiscalização flagra trabalho degradante em pedreiras de Estrela de Alagoas

Fiscalização aponta jornadas exaustivas, ausência de direitos e exploração humana
Por Assessoria 29/08/2025 - 19:00
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Luciano Barbosa/IPMA
Trabalhadores de pedreiras em Estrela de Alagoas enfrentam rotina de dor e exploração
Trabalhadores de pedreiras em Estrela de Alagoas enfrentam rotina de dor e exploração

A Fiscalização Preventiva Integrada da Bacia do Rio São Francisco (FPI) encontrou, nesta sexta-feira, 29, condições de trabalho degradantes em duas pedreiras de Estrela de Alagoas, no Sertão. Além da exploração mineral irregular e de danos ambientais, a operação revelou um cenário de exploração humana marcado por dor, pobreza e ausência completa de direitos trabalhistas.

Em uma das áreas fiscalizadas, no sítio Boqueirão, trabalhadores relataram jornadas de até cinco dias para produzir mil paralelepípedos, recebendo R$ 600 pelo serviço — valor dividido entre cortador e ajudante. Sem carteira assinada, sem equipamentos de proteção, acesso à água, local de descanso ou banheiros, eles atuam de chinelos, expostos ao sol, à chuva e ao barulho constante da quebra de pedras.

“É um cenário de condições degradantes de trabalho. Eles laboram à própria sorte, sem qualquer garantia trabalhista ou proteção mínima. Trata-se de uma situação de superexploração”, afirmou o procurador do Trabalho Rodrigo Alencar, que acompanhou a ação.

As marcas dessa realidade aparecem nos corpos dos trabalhadores: mãos calejadas e dores crônicas na coluna e nas articulações. Um trabalhador de 34 anos contou que começou nas pedreiras aos 14. Outro, de 53 anos, relatou carregar dores desde os 15. “É o que restou para sobreviver”, disse.

Segundo o coordenador da equipe, Rafael Vanderley, a fiscalização também vai rastrear toda a cadeia de comercialização das pedras, já que parte da produção é utilizada em obras de pavimentação de cidades da região. “Estamos apurando quem está por trás da comercialização dessas pedras para responsabilizar tanto na esfera ambiental quanto trabalhista”, destacou.

A operação, que envolveu o MPT, Batalhão de Polícia Ambiental, IMA/AL, Semarh, Crea-AL e CRT-3, identificou cerca de 70 tarefas de exploração sem qualquer licença ou acompanhamento técnico. Para os órgãos, a ação busca não apenas conter crimes ambientais, mas também romper o ciclo de exploração que há décadas invisibiliza trabalhadores submetidos a condições precárias no interior de Alagoas.

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