Tradição de fé

Município alagoano anuncia nova edição da tradicional Missa do Vaqueiro

Evento atrai multidão a Maribondo com procissão a cavalo no dia de Nossa Senhora Aparecida
Assessoria
Missa do Vaqueiro, em Maribondo, atrai multidão para procissão
Missa do Vaqueiro, em Maribondo, atrai multidão para procissão

Tradicional no calendário de Maribondo, o mês de outubro é marcado pelas festividades religiosas em alusão à Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil. O costume caiu no gosto popular e há 20 anos no dia 12 de outubro, feriado nacional, é realizada a Missa do Vaqueiro, celebração que promete reunir fiéis e participantes de várias localidades para um momento de fé e união.

Em 2025 acontecerá a 18ª edição da cavalgada, que por dois anos não pôde acontecer em formato de missa por conta da pandemia. A programação consiste em uma procissão com imagem de Nossa Senhora a frente e com os fiéis seguindo a cavalo o percurso. Um dos organizadores, Lauro Antônio, conta que o evento começou após conhecerem a maior Missa do Vaqueiro do Brasil, realizada na Serrita, em Pernambuco. “Nos reunimos na minha casa, perguntamos ao padre se a gente conseguia fazer e na primeira edição já fomos bem abraçados pelo povo e pelos vaqueiros do campo”, conta.

Os organizadores dão conta de reunir pessoas de várias regiões, que se deslocam a cada edição em um momento de fé e louvor. “Essa festa é mais voltada pra os vaqueiros, para o pessoal que trabalha no campo. Um pessoal que tem fé e não anda muito em missa. Assim, é um incentivo de trazer esse pessoal pra perto. É uma festa que a gente faz pra abraçar todo mundo. E vem gente de todo tipo e lugar”, destaca o organizador.

Em sua última edição, a Missa do Vaqueiro reuniu cerca de 1.600 pessoas em cavalos, com um recorde registrado de 2.000 animais. Todos os anos é feita uma concentração às 8h30 na Praça de Eventos de Maribondo, com a saída acontecendo pontualmente às 9h. O percurso dura em torno de 1h20, em ritmo de cavalgada, mas a passos lentos, percorrendo as principais ruas da cidade. Após a procissão, é feita uma missa campal no mesmo local da saída.

“Essa é uma missa diferente, com ofertório e músicas voltadas para o vaqueiro. Tem verso entoado no meio da missa, tudo para ser mais atrativo e com a cara do vaqueiro nordestino”, explica Lauro Antônio.

Um dos destaques é a presença cada vez maior de mulheres e crianças, que hoje já é estipulado como 40% do público. Além disso, muitas pessoas também seguem o trajeto a pé, pagando promessas. “A maioria das pessoas ainda vai a cavalo, mas hoje a quantidade de pessoas que vão a pé aumentou. Nessas celebrações é difícil ver uma quantidade boa de mulheres e crianças, mas na Missa do Vaqueiro tem muitas famílias. Como é algo religioso, não tem bebida e nem festa depois, isso tem atraído o público feminino, infantil e idoso. É algo muito bonito de ver”, salienta o organizador.

O evento tomou proporções tão grandes que hoje é referência e atrai público de cidades vizinhas. “Não dá para numerar, mas vem gente de Jaramataia e até Santana do Ipanema. É algo que já virou patrimônio cultural da cidade e de Alagoas e não tem apoio político nenhum. A gente tenta não ter vínculo político, principalmente pra não dividir. Nós só somamos e abraçamos todo mundo que soma”, finaliza.


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