Proteção
Quem pode tomar a vacina contra a dengue do Instituto Butantan?
Doença atingiu 7.695 pessoas em Alagoas este ano com 2 óbitos confirmados e 6 em investigação
Esta semana a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) assinou o Termo de Compromisso com o Instituto Butantan para a continuidade dos estudos e do monitoramento da Butantan-DV, a nova vacina tetravalente desenvolvida pelo instituto.
A assinatura ocorre após a conclusão das avaliações técnicas da Agência, última etapa antes da concessão do registro oficial, um passo decisivo no combate a uma das doenças mais desafiadoras para a saúde pública brasileira.
Somente este ano, a dengue foi notificada em 1,6 milhão de brasileiros e levou a óbito 1.733 pessoas até esta quinta-feira, 27, sendo que outros 243 óbitos estão em investigação, segundo dados do Painel de Arboviroses do Ministério da Saúde.
Em Alagoas foram notificados 7.695 casos de dengue este ano, com 2 óbitos confirmados e 6 em investigação. O estado é o 5° da região Nordeste em número de casos, abaixo apenas da Bahia (31.624 casos), Pernambuco (21.737), Rio Grande do Norte (9.761) e Piauí (9.118 casos).
Com tecnologia de vírus vivo atenuado, a mesma utilizada em diversas vacinas já consagradas no país, esse é o primeiro imunizante contra a dengue totalmente produzido por um laboratório nacional. Ele será aplicado em dose única e foi desenvolvido para oferecer proteção contra os quatro sorotipos do vírus.
A indicação aprovada pela Anvisa contempla pessoas de 12 a 59 anos. Esse intervalo poderá ser ampliado futuramente, caso novos estudos apresentados pelo Butantan confirmem a segurança e eficácia para outros grupos etários.
O estudo que embasou a aprovação contou com mais de 16 mil participantes. As reações adversas identificadas foram, em sua maioria, leves a moderadas, como: dor de cabeça, erupções na pele (exantema) e fadiga.
Qual é o nível de proteção?
A Butantan-DV apresentou eficácia global de 74,7% contra dengue sintomática entre pessoas de 12 a 59 anos. Em termos práticos, isso significa que a vacina evitou cerca de três em cada quatro casos da doença no grupo estudado.
O índice de proteção foi semelhante tanto em indivíduos que já tiveram dengue quanto naqueles que nunca foram infectados — um dado importante, já que outras vacinas no mundo apresentam restrições conforme a sorologia.
Os estudos também apontaram que as formas graves da dengue foram raras, com tendência de proteção que reduziu a necessidade de hospitalização. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que a vacina estará disponível a partir do início de 2026.



