Justiça
Desembargador do TJAL anuncia aposentadoria e tece critica aos seus pares
Márcio Roberto Albuquerque diz que vai adotar postura de maior distanciamento institucional
A postagem mais recente nas redes sociais de um desembargador do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJAL) provocou um abalo interno na Corte pelas críticas realizadas em tom de desabafo longo e sem mistério. Na quinta-feira, 1ºde janeiro, o desembargador Márcio Roberto Albuquerque anunciou ter solicitado a aposentadoria do cargo e disse que adotaria um mudança rigorosa de afastamento no seu convívio institucional.
Disse que analisa a possibilidade de deixar o Judiciário há algum tempo e que essa decisão não "advém de qualquer erosão vocacional ou exaustão da força laborativa, elementos que permanecem hígidos e devotados ao povo alagoano".
Segundo ele, o gabinete em que trabalha foi o mais produtivo e eficiente no decorrer de 2025, com quase 20% a de julgamentos realizados a mais que a média, apesar das "péssimas instalações físicas, de longe indignas de um desembargador". O desembargador comparou seu gabinete a uma "cafua", enquanto outros, a maioria, atuam em "suntuosos gabinetes".
Intitulado “Altivez institucional e urbanidade recíproca: um manifesto de independência e simetria”, no pronunciamento afirma que manterá o respeito ao Tribunal de Justiça de Alagoas, ao presidente da Corte e aos demais desembargadores, mas afirma que passará a adotar postura de maior distanciamento institucional até a conclusão definitiva do processo de aposentadoria.
"Minha conduta doravante será pautada pela urbanidade protocolar, limitando o diálogo ao estritamente necessário, até que decida em definitivo pedir minha aposentação, o que espero seja nos próximos dias. A reciprocidade será, daqui por diante, o fiel da minha balança sócio institucional. Aos que se julgam divinos, ofereço o silêncio do respeito institucional", disse ele em um trecho do pronunciamento.
O magistrado também critica comportamentos que classifica como excessos de autoridade e defende que a toga represente uma responsabilidade temporária, e não um símbolo de superioridade. No final, afirma não ter apego ao cargo. "Considerando que a toga que vestimos não é um manto de divindidade, mas símbolo de uma responsabilidade terrena e passageiras. Partirei, espero, o mais breve possível, lamentavelmente, sem levar saudade!", conclui.



