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CPF de Epstein aparece ativo no Brasil e associado à cooperativa alagoana

Documentos divulgados pela Justiça indicam que bilionário tinha registro regular na Receita
Por José Fernando Martins 13/02/2026 - 08:31
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Divulgação
CPF de Epstein foi vinculado à cooperativa alagoana
CPF de Epstein foi vinculado à cooperativa alagoana

Documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos revelam que o financista norte-americano Jeffrey Epstein possuía um CPF registrado e ainda ativo no Brasil e com conta em banco financeiro sediado em Alagoas. A informação consta em arquivos liberados no âmbito das investigações do caso que envolveu o bilionário, acusado de tráfico sexual de menores e outros crimes.

O CPF foi emitido em 2003 e permanece com situação cadastral regular na Receita Federal. O registro inclui a data de nascimento de Epstein, 20 de janeiro de 1953. A legislação brasileira permite que estrangeiros, mesmo sem residência no país, solicitem inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas, seja diretamente ou por meio de procurador legalmente constituído.

Além da existência do CPF, publicações nas redes sociais passaram a apontar que o número 229.873.678-21 estaria vinculado a uma chave Pix direcionada à Cooperativa de Crédito Rural do Agreste Alagoano (CCR do Agreste), instituição sediada no município de Igaci, interior de Alagoas.

A associação gerou questionamentos sobre a eventual existência de conta bancária em nome de Epstein na cooperativa alagoana. Contudo, não há confirmação de que o financista mantivesse qualquer vínculo financeiro com a instituição. A reportagem também tentou usar CPF dele para simular um PIX, mas dava mensagem de conta inexistente. 

No entanto, reclamações recentes registradas na plataforma Reclame Aqui indicam que outros consumidores relataram a abertura indevida de contas e criação de chaves Pix associadas a seus CPFs na mesma cooperativa. 

Entre os relatos publicados na última semana, há queixas sobre cadastros realizados sem autorização dos titulares, além de dificuldades para contato com a instituição. Em um dos registros, um consumidor afirma que “abriram uma conta e chave Pix com meu CPF” e que, ao receber uma transferência, o valor foi direcionado para a conta criada indevidamente. 

Outro relato menciona a “abertura de conta e criação de chave Pix não autorizadas”, solicitando a exclusão imediata do cadastro. Também há denúncias sobre uso indevido de CPF e criação de conta sem conhecimento do titular. Segundo as reclamações, quando terceiros tentam realizar transferências via Pix utilizando o CPF como chave, os valores estariam sendo direcionados à cooperativa, e não às contas bancárias legítimas dos titulares do documento.

O caso ocorre em meio à divulgação de mais de três milhões de arquivos relacionados às investigações contra Jeffrey Epstein, liberados pela Justiça norte-americana. O financista foi investigado por abusos sexuais contra menores desde 2005, chegou a firmar acordo judicial em 2008 e voltou a ser preso em 2019, acusado de comandar uma rede de exploração sexual envolvendo adolescentes em diferentes estados dos Estados Unidos e em propriedades no Caribe.

A eventual utilização indevida de CPFs para abertura de contas e registro de chaves Pix pode configurar crime de falsidade ideológica e fraude bancária, e deve ser apurada pelas autoridades competentes caso haja confirmação formal das irregularidades apontadas pelos consumidores.

A reportagem entrou em contato com a cooperativa, mas dava telefone inválido. Já o site da empresa conta com diversos links quebrados. 


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