em 2024
Nordeste lidera expansão da Lei Rouanet e movimenta R$ 1,9 bi na economia
Região concentra o maior crescimento do país em projetos culturais incentivados
A Região Nordeste foi destaque do desempenho da Lei Rouanet em 2024, ano em que o mecanismo de incentivo à cultura movimentou R$ 25,7 bilhões na economia brasileira e gerou ou manteve 228 mil postos de trabalho em todo o país. De acordo com a Pesquisa de Impacto Econômico da Lei Rouanet, realizada pela Fundação Getulio Vargas (FGV), o Nordeste liderou a expansão nacional, com crescimento de 427% no número de projetos culturais executados com recursos incentivados.
Somente na região, o impacto econômico total alcançou R$ 1,9 bilhão em 2024. Desse montante, R$ 935,8 milhões foram gerados de forma direta e R$ 992,8 milhões de maneira indireta, considerando tanto a execução dos projetos quanto os gastos do público em setores como hospedagem, alimentação e transporte. A pesquisa aponta que R$ 427,7 milhões tiveram origem direta na organização das iniciativas culturais, enquanto cerca de R$ 1,5 bilhão resultaram da movimentação econômica provocada pelos participantes dos eventos.
O estudo também revela que, no Nordeste, os projetos culturais beneficiados pela Lei Rouanet foram responsáveis pela criação ou manutenção de aproximadamente 17,6 mil postos de trabalho em 2024 — sendo 11,9 mil diretos e 5,7 mil indiretos. A cadeia produtiva da cultura na região ainda gerou cerca de R$ 280,5 milhões em tributos municipais, estaduais e federais, reforçando o efeito multiplicador do investimento público no setor.
Em âmbito nacional, 2024 marcou um ano histórico para o mecanismo: foi o primeiro desde 2011 a registrar aumento real — acima da inflação — no volume de renúncia fiscal, que somou R$ 3 bilhões. Ao todo, 4.939 projetos culturais executaram recursos da Lei Rouanet, alcançando um público estimado de 89,3 milhões de pessoas, o equivalente a 42% da população brasileira. Desse total, 69,3 milhões participaram de eventos presenciais.
A pesquisa indica ainda que, para cada R$ 1 investido por meio da renúncia fiscal, R$ 7,59 retornaram para a economia e para a sociedade — um salto expressivo em relação ao retorno de R$ 1,59 registrado em 2018, quando a FGV realizou o primeiro levantamento do tipo. A ampliação da metodologia, que passou a considerar com mais precisão os gastos do público e os investimentos de outras fontes atraídas pelos projetos, contribuiu para o resultado.
Para a ministra da Cultura, Margareth Menezes, os dados consolidam a importância estratégica do setor cultural. Segundo ela, o fortalecimento e a modernização do mecanismo de incentivo trazem mais eficiência, transparência e segurança, além de ampliar o alcance regional das políticas públicas. Programas como Rouanet Nordeste, Rouanet Norte, Rouanet nas Favelas e Rouanet da Juventude têm sido decisivos para descentralizar os recursos e impulsionar projetos em áreas periféricas, regiões vulneráveis e comunidades tradicionais — que já concentram 58,9% das ações executadas.



