Caso Davi
Justiça marca para abril julgamento dos PMs acusados na morte de Davi Silva
Tribunal do Júri se reúne no dia 13 para julgar envolvidos, uma década após o crime
A Justiça de Alagoas marcou para o dia 13 de abril de 2026 a nova sessão do Tribunal do Júri, que tramita na 8ª Vara Criminal da Capital, sobre o caso Davi, que se arrasta há mais de uma década no Judiciário. O processo investiga o desaparecimento do adolescente Davi Silva, de 17 anos, ocorrido após ele ter sido abordado e conduzido por uma viatura do Batalhão da Radio Patrulha da Polícia Militar (BPRP), no Conjunto Cidade Sorriso I, localizado no Benedito Bentes, em 2014.
Segundo testemunhas, Davi estava com uma pequena quantidade de maconha quando foi abordado e colocado dentro da viatura, circunstância que fundamenta as acusações analisadas na esfera criminal. O julgamento representa a etapa em que os fatos serão submetidos ao Conselho de Sentença, no âmbito do Tribunal do Júri. São acusados no caso os militares Nayara Silva de Andrade, Victor Rafael Martins da Silva, Eudecir Gomes de Lima e Carlos Eduardo Ferreira dos Santos.
Desde que foi levado pelos policiais, não houve mais informações sobre o paradeiro do jovem. Na ocasião, Davi estava acompanhado de Raniel Victor Oliveira da Silva, que foi encontrado morto meses após o sumiço do colega. Ele era a principal testemunha do caso.
Até 2019, os acusados não respondiam por crime contra a vida – e sim tortura qualificada, ocultação de cadáver, e falta de comunicação da apreensão do adolescente. Os acusados só passaram a responder por crime doloso em janeiro de 2019, quando surgiu a figura do homicídio duplamente qualificado.
A determinação judicial prevê a expedição de intimações às partes e aos demais envolvidos, conforme os ritos estabelecidos no Código de Processo Penal, permitindo a retomada regular do andamento processual.
No ano passado, em decisão monocrática, o desembargador da Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Alagoas, Tutmés Airan de Albuquerque, recuou a decisão que mantinha marcado para o dia 13 de outubro, o Tribunal de Júri dos militares acusados de torturar e matar o adolescente.
A nova data do julgamento, ocorre após a superação de entraves processuais que haviam impedido a realização anterior da sessão plenária. Com a retomada regular da tramitação, o caso volta à agenda do Judiciário, reacendendo a expectativa de responsabilização criminal.
O júri acontece também sob a memória de Dona Maria José, mãe de Davi, que faleceu em dezembro passado sem ter acompanhado a realização do julgamento pelo qual lutou durante anos. Sua trajetória tornou-se símbolo da longa espera de familiares por respostas e por uma atuação efetiva do sistema de Justiça em casos de desaparecimento e graves violações de direitos.
Em nota pública, o Centro de Defesa da Criança e do Adolescente de Alagoas (CEDECA) destacou que Dona Maria José morreu sem ver concluída a etapa do julgamento do filho, associando o caso à necessidade de enfrentamento da impunidade e de garantia de justiça em situações que envolvem crianças, adolescentes e suas famílias.
A sessão do Tribunal do Júri será pública, conforme prevê a legislação, e marca um novo momento processual em um caso que se estende há anos no sistema de Justiça.



