O nó da sucessão
A decisão (não oficial) de Paulo Dantas de permanecer no governo até o último dia de seu mandato revela alguns sinais sobre o andamento da sucessão em Alagoas. A renúncia do governador daria ao seu vice a condição de coordenador do processo sucessório, alternativa que o MDB e o grupo do senador Renan Calheiros vetam completamente por não confiarem em Ronaldo Lessa para essa missão.
Ao reiterar que não é candidato a nada, Paulo Dantas deve ter sido instado pela cúpula peemedebista a governar até o fim do mandato. Aliás, esta não é a primeira vez que o governador recebe tal advertência; ano passado, quando Dantas dava sinais de que pretendia deixar o cargo, foi avisado pelo deputado Marcelo Victor, avalista de sua eleição, de que ele foi eleito para governar até o último dia do mandato.
Para disputar eleições o governador tem até o dia 4 de abril para deixar o cargo, mas até lá permanece a dúvida se fica ou sai. Sua insistência em dizer que fica também pode sinalizar que Ronaldo Lessa endureceu na posição de negociar sua renúncia, o que abria caminho para a nomeação de um governo-tampão indicado pela Assembleia, repetindo o processo sucessório que elegeu Dantas governador.
Outra explicação plausível para as reiteradas declarações de Paulo Dantas de que não deixará o governo deve ser a preocupação palaciana com o crescimento de JHC nas pesquisas e seu potencial para decidir uma corrida ao Senado ou mesmo ao governo. Tal entendimento também tem levado o ministro Renan Filho a insistir que disputará o governo, mesmo sendo pública sua falta de entusiasmo para governar Alagoas pela terceira vez. A verdade é que JHC deu um nó na sucessão que só ele pode desatar.



