IMPACTO NO BOLSO

Por que o preço da gasolina subiu em Alagoas? Economista explica os motivos

Procon Alagoas deve decidir na segunda-feira ações para fiscalizar o aumento
Por Adja Alvorável 14/03/2026 - 06:00
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Marcelo Camargo/Agência Brasil
Gasolina sobe em postos de Alagoas, mesmo sem reajuste da Petrobras
Gasolina sobe em postos de Alagoas, mesmo sem reajuste da Petrobras

Consumidores em Alagoas têm relatado aumento no preço de combustíveis nos últimos dias, com o litro da gasolina comum chegando a cerca de R$ 7 em alguns postos. A alta ocorre mesmo sem reajuste recente nas refinarias da Petrobras, o que levanta questionamentos dos motoristas sobre os motivos da variação. 

Para se ter ideia, em janeiro, o preço médio da gasolina em Alagoas era de R$ 6,46 e em fevereiro caiu para R$ 6,45, segundo o Índice de Preços Ticket Log (IPTL), indicador nacional que acompanha os preços médios dos combustíveis no Brasil.

Ao EXTRA, o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de Alagoas (Sindicombustíveis-AL) informou que "acredita que os postos já estão recebendo os produtos com aumentos", mas ressaltou que a entidade não acompanha os preços dos postos associados.

Já o Procon Alagoas informou que ainda não realizou fiscalização específica sobre o aumento recente no preço da gasolina nos postos do estado. Segundo o órgão, uma reunião com a equipe de fiscalização está prevista para segunda-feira, 16, quando serão definidas ações para verificar a situação.

Segundo o economista Francisco Rosário, a guerra no Oriente Médio pode pressionar o mercado internacional, mas não explica, por si só, aumentos imediatos ao consumidor. Entenda, abaixo, as principais razões do aumento no preço da gasolina em Alagoas.

Guerra no Oriente Médio pressiona mercado de petróleo

No dia 28 de fevereiro, teve início o conflito envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos. Dias depois, o Irã anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de petróleo do mundo, por onde passa cerca de 30% da produção global transportada por navios. Esse cenário tem sido apontado como uma possível justificativa para a pressão nos preços dos combustíveis.

"Há o risco dos petroleiros afundarem no Golfo e não ter seguro para cobrir prejuízos. Então tem muito petroleiro parado sem navegação, sem sair ali e isso faz com que tenha um aumento nos preços. Não falta [petróleo] porque há reserva estratégica, tem outros países que também extraem petróleo. Mas é um mercado extremamente sensível e a guerra realmente está pressionando os preços por conta de um risco de redução da oferta de petróleo no mundo", explica Francisco Rosário.

Apesar disso, o economista ressalta que não houve aumento nos preços praticados nas refinarias da Petrobras, que é a principal fornecedora de combustíveis no país. “O dado objetivo é que a gasolina ainda não aumentou nas refinarias da Petrobras, mas os postos estão aumentando”, afirmou.

Refinarias privadas podem pressionar preços

O economista aponta que uma das possíveis explicações para a alta nos preços ao consumidor pode estar no comportamento de refinarias privadas, que compram petróleo no exterior.

"Algumas [refinarias privadas] compram petróleo de fora [do Brasil] e esse petróleo, que está vindo de fora, está mais caro. Então a refinaria está aumentando o preço para os postos. Esse é outro argumento que está existindo para justificar esse aumento de preço", afirmou.

Postos podem estar antecipando aumento futuro

Outra possibilidade levantada pelo economista é a decisão de alguns donos de postos de aumentar o preço para se antecipar a possíveis reajustes futuros.

"Uma possibilidade são os donos de postos, mesmo aqueles abastecidos por refinarias da Petrobras, aumentarem o preço para poder ter um ganho e se prevenir de possíveis aumentos futuros. Se estiver acontecendo, é muito complicado, porque isso é especulação, que 'bate' na economia popular. Eles [donos de postos] vão argumentar que tem a guerra, que algumas refinarias privadas estão aumentando [o preço]. Tem todas essas questões para poder justificar um aumento de preço que teoricamente não deveria estar aumentando", disse.

Mercado é incerto e Diesel já sente o impacto

Rosário também afirma que o mercado internacional de petróleo opera com negociações futuras, o que aumenta a incerteza em momentos de conflito.

Em meio às discussões sobre o preço dos combustíveis, a Petrobras anunciou nesta sexta-feira, 13, reajuste no valor do óleo diesel vendido às distribuidoras. O aumento será de R$ 0,38 por litro e o novo preço médio do diesel A passará a R$ 3,65 a partir de sábado, 14.

“A guerra do Irã está desenhando mais longa do que se imaginava, então existe uma incerteza em relação ao fim do conflito e isso pode pressionar o preço futuro do petróleo. O que a gente consome hoje foi negociado lá atrás. Hoje se negocia petróleo para consumo futuro”, explicou.

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