RISCO À SAÚDE

Cigarro eletrônico domina consumo de nicotina entre jovens em Alagoas

Além do cigarro eletrônico e comum, outros produtos de tabaco têm menor uso entre adolescentes
Por Assessoria 25/03/2026 - 16:31
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Gemini/ I.A
Cigarro eletrônico
Cigarro eletrônico

Os hábitos de consumo de nicotina entre adolescentes alagoanos estão mudando rapidamente e acendem um alerta para autoridades de saúde. Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024, divulgados nesta terça-feira, 25, pelo IBGE, revelam que o cigarro eletrônico já ultrapassou o cigarro tradicional tanto na experimentação quanto no uso recente entre estudantes de 13 a 17 anos, tornando-se a principal porta de entrada para o tabagismo entre os jovens no estado.

Esse avanço aparece de forma clara na experimentação ao longo da vida. Em 2024, 24,7% dos escolares alagoanos afirmaram ter usado cigarro eletrônico, um aumento de 14,0 pontos percentuais em relação a 2019 (10,7%), o que representa um crescimento de cerca de 131% no período.

No mesmo intervalo, o movimento foi oposto para o cigarro tradicional. A proporção de estudantes que já haviam experimentado o produto recuou de 19,1%, em 2019, para 16,0% em 2024, indicando perda de espaço frente aos dispositivos eletrônicos (vaper, pod, e-cigarrette), que passam a concentrar o primeiro contato com o tabaco.

Maceió acompanha tendência

Em Maceió, o padrão se repete, de acordo com a PeNSE 2024. Na experimentação, 23,8% dos estudantes já utilizaram cigarro eletrônico, frente a 13,9% que já fumaram cigarro comum alguma vez na vida.

No uso recente, 18,7% relataram uso de dispositivos eletrônicos nos 30 dias anteriores à pesquisa, enquanto 3,7% fumaram cigarro comum no mesmo período, percentual inferior ao observado no estado (4,6%) e também abaixo da média das capitais (4,8%).

Diferença entre redes de ensino

A experimentação de cigarro eletrônico apresenta diferenças entre redes de ensino. Em Alagoas, o indicador é maior entre estudantes da rede pública (25,4%) do que da rede privada (21,3%).

Na capital, a diferença é ainda mais expressiva: 27,9% na rede pública contra 17,5% na rede privada, indicando maior concentração do fenômeno entre alunos do ensino público.

Em Alagoas, 7,2% dos estudantes já experimentaram outros produtos, como narguilé e cigarros de cravo, percentual abaixo da média nacional (9,4%) e próximo ao observado no Nordeste (6,5%). Na capital, esse índice é de 6,0%, reforçando que o principal vetor de entrada para o consumo entre os jovens tem sido o cigarro eletrônico.

Convívio social tem maior influência

A exposição ao tabaco ocorre tanto no ambiente doméstico quanto no social. Em Alagoas, 20,3% dos estudantes convivem com pais ou responsáveis fumantes, enquanto 20,8% estiveram expostos ao fumo dentro de casa nos sete dias anteriores à pesquisa.

A influência social é ainda mais expressiva: 23,4% relataram que algum amigo fumou em sua presença nos 30 dias anteriores, proporção superior à exposição familiar. Na capital, o comportamento se repete, com 22,3% dos adolescentes relatando exposição ao fumo entre amigos.



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