Caso Anne Larissa
Réu é condenado a mais de 41 anos por matar ex-namorada em Maceió
Conselho de sentença rejeita tese de suicídio e reconhece crime com uso de meio cruel
O Tribunal do Júri condenou André Luiz Ramos Santa Cruz a 41 anos e três meses de prisão, em regime inicialmente fechado, pelo feminicídio de Anne Larissa Nepomuceno Silva, de 40 anos, em Maceió. A decisão foi tomada após mais de 12 horas de julgamento, encerrado na noite desta quinta-feira, 16.
Durante o julgamento, o Ministério Público de Alagoas sustentou que o crime foi premeditado e cometido com uso de meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima. A acusação foi conduzida pelo promotor de Justiça Antônio Vilas Boas, com assistência de Ronald Pinheiro.
A defesa do réu tentou sustentar a tese de suicídio, negando a autoria do crime. No entanto, os jurados não acolheram a versão apresentada e reconheceram a responsabilidade de André Luiz pelo homicídio qualificado.
Entre os elementos apresentados pela acusação, estiveram imagens que mostrariam o réu deixando a residência da vítima no dia do crime, sem registro de entrada ou saída de outras pessoas após sua presença no local. Também foram exibidos registros do corpo da vítima e do cenário que, segundo o Ministério Público, teria sido montado para simular um suicídio.
Laudo pericial elaborado pela médica-legista Thays Fernanda Avelino Novaes apontou sinais compatíveis com estrangulamento. O exame identificou sulco cervical retilíneo e manchas na região dorsal do corpo, indicando que a vítima permaneceu deitada de costas após a morte.
Em declaração após o julgamento, o promotor destacou que o resultado representa uma resposta da sociedade diante da violência contra a mulher. Já o assistente de acusação, Ronald Pinheiro, afirmou que a condenação reforça a confiança na Justiça.
A sentença foi proferida pelo juiz Yulli Roter, da 7ª Vara Criminal da Capital. Na dosimetria da pena, foram consideradas circunstâncias judiciais desfavoráveis ao réu, fixando a pena-base em 27 anos e seis meses. Sem atenuantes na segunda fase, a pena foi aumentada na etapa final, chegando ao total de 41 anos e três meses de reclusão.
O caso foi acompanhado por familiares da vítima, que aguardavam o desfecho do julgamento marcado por forte comoção.



