em Maceió

Sururu fará parte do cardápio da merenda da rede municipal, diz prefeitura

Projeto-piloto em cinco unidades de ensino alia nutrição e cultura para impulsionar economia local
Ascom Semed
Sururu, patrimônio imaterial de Alagoas, vai entrar no cardápio da merenda escolar
Sururu, patrimônio imaterial de Alagoas, vai entrar no cardápio da merenda escolar

A Secretaria de Educação de Maceió (Semed) deu o primeiro passo esta semana para incluir o sururu no cardápio das escolas, unindo nutrição, valorização cultural e fortalecimento da economia local. O marisco é reconhecido como Patrimônio Imaterial de Alagoas.

Para tanto, foi realizada a capacitação com merendeiras de cinco unidades de ensino, escolas municipais Nosso Lar, Deraldo Campos, Rui Palmeira, Lindolfo Collor e Silvestre Péricles, que participarão do projeto-piloto “Sururu na escola: inclusão e nutrição”. A formação ocorreu na Escola Nosso Lar e foi conduzida pela merendeira e gastróloga da Semed, Raquel Vieira.

A profissional conta que o marisco será incluído no cardápio escolar de quatro maneiras: frito, com legumes, em forma de moqueca e de macarronada. “Sabemos que o sururu tem um sabor bem característico e queremos diversificar o preparo. O que trouxemos de diferente para os pratos? O gengibre e a pimenta de cheiro, que podem ser usados tranquilamente na alimentação escolar e, da forma que prepararemos, não vai ter ardor, apenas o sabor".

A coordenadora-técnica de Nutrição e Segurança Alimentar da Semed, Ana Denise Cotrim, explica que a previsão é introduzir o alimento no cardápio a partir de maio, com a compra inicial, com recursos próprios, de cerca de 280 quilos mensais do produto, para atender aproximadamente três mil alunos das cinco escolas contempladas. Na primeira fase, o alimento deverá ser servido uma vez por mês.

Ana Denise destaca que o projeto foi estruturado com base em critérios rigorosos de qualidade e segurança alimentar. “A proposta é avançar com responsabilidade, garantindo qualidade nutricional e respeito às normas sanitárias, ao mesmo tempo em que fortalecemos a economia local e valorizamos a cultura alimentar do nosso estado”, revela.

Experiência e resgate

Uma das participantes da formação, Roseneide dos Santos, merendeira da Nosso Lar, falou sobre a importância de inserir o marisco, que faz parte da história de Alagoas, na merenda escolar. “As escolas ainda irão fazer a experiência, mas creio que será aceito pelos estudantes. Inclusive, porque muitas famílias dos nossos alunos têm renda e o sustento através do sururu. Então, para eles comerem aqui na escola vai ser algo novo, uma experiência”, ressalta.

O farmacêutico Eduardo Peglow, doutorando em ciências da saúde e segurança alimentar pela Universidade Federal do Rio Grande, experimentou pela primeira vez o sururu. Ele, que está acompanhando algumas iniciativas da Semed, destacou a experiência gastronômica, bem como o resgate da alimentação regional.

“Provei pela primeira vez o caldinho de sururu e achei maravilhoso! Acho que é algo que pode ser incluído na escola, porque muitas vezes se perde essa questão da alimentação mais regional, mais cultural, e as crianças vão levar essa cultura de volta para suas famílias. Além disso, a escola tem um papel muito importante para atingir a segurança alimentar, uma vez que, infelizmente, muitas famílias ainda vivem em situação de vulnerabilidade”, pontua.



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