Davi Salsa/Ascom
Hospital de Emergência do Agreste (HEA)
O Ministério Público de Alagoas (MPAL), através da 11ª Promotoria de Justiça de Arapiraca, ajuizou ação civil pública (ACP), nesta quinta-feira (30), com pedido de tutela antecipada de urgência, para que o Estado de Alagoas regularize as irregularidades na Unidade de Emergência Dr. Daniel Houly.
O hospital está funcionando sem o licenciamento ambiental e sanitário e também deve ser implantado sistema adequado de tratamento de efluentes, corrigido o armazenamento e a destinação de resíduos hospitalares e cessado o lançamento irregular de esgoto. As irregularidades constatadas, segundo o MPAL, colocam em risco a saúde pública e o meio ambiente.
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A ação é assinada pelo promotor de Justiça Cláudio Teles e tem como base o inquérito civil nº 06.2026.00000134-2. As falhas foram apontadas em laudos e relatórios técnicos elaborados pela Fiscalização Preventiva Integrada do Rio São Francisco (FPI São Francisco), pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente de Arapiraca (SMDUMA), pelo Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA/AL) e pelo Batalhão de Polícia Ambiental (BPA), além de registros da própria Secretaria de Estado da Saúde (SESAU).
Entre os principais problemas identificados estão o transbordo recorrente de efluentes hospitalares, lançamento irregular de esgoto no solo e em galerias pluviais, ausência de sistema adequado de tratamento, armazenamento inadequado de resíduos sólidos de serviços de saúde, além da inexistência de Licença de Operação ambiental e de alvará sanitário. Os pareceres técnicos apontam risco de contaminação do solo e do lençol freático, proliferação de vetores e impacto direto à saúde de pacientes, profissionais e da população do entorno.
MPAL tentou negociação extrajudicial
Antes de recorrer ao Judiciário, o Ministério Público apresentou minuta de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), prevendo cronograma para regularização estrutural, sanitária e ambiental da unidade, incluindo a apresentação de estudo de viabilidade técnica para implantação de Estação de Tratamento de Efluentes (ETE), elaboração de projeto básico, realização de procedimento licitatório e execução das obras. No entanto, segundo a Promotoria, não houve resposta conclusiva por parte do Estado.
O promotor Cláudio Teles pede na ação que seja fixado prazo judicial para a devida regularização. “O que se verifica é uma situação reiterada de irregularidades, já apontada por diversos órgãos técnicos, com risco concreto ao meio ambiente e à saúde pública. Não é admissível que um hospital público funcione sem licença ambiental, sem alvará sanitário e com lançamento irregular de efluentes. O objetivo da ação é garantir a imediata cessação do dano e a regularização definitiva da unidade”, afirmou o titular da 11ª Promotoria de Justiça de Arapiraca. A reportagem do Extra aguarda manifestação do Estado sobre o caso para atualizar a matéria.
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