dados de 2025
Alagoas registra mais de mil óbitos por influenza, pneumonia e coronavírus
Dados do Ministério da Saúde relatam que, no Brasil, mais de 108 mil óbitos foram contabilizados
Pode parecer um gesto simples, mas lavar as mãos corretamente continua sendo uma das medidas mais eficazes para salvar vidas dentro e fora das instituições de saúde. Dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, revelam o impacto das doenças associadas à falta de higienização adequada. Em 2025, o Brasil registrou 105.873 mortes por influenza e pneumonia, além de 2.550 óbitos relacionados a infecções por coronavírus.
Em Alagoas, os números também chamam atenção. Foram contabilizadas 1.501 mortes por influenza e pneumonia ao longo do ano, além de 25 óbitos atribuídos ao coronavírus. A higienização inadequada das mãos é considerada um dos principais fatores de transmissão de doenças infecciosas. Além da gripe e da pneumonia, mãos contaminadas podem disseminar enfermidades como conjuntivite, catapora e hepatite A.
Segundo a infectologista e consultora da Organização Nacional de Acreditação (ONA), Cláudia Vidal, a adoção correta da prática pode reduzir significativamente os riscos de infecção. “Este simples gesto pode reduzir em até 40% o risco de infecções, como gripe, diarreia e conjuntivite”, afirmou a especialista.
Infecções hospitalares seguem como desafio global
Apesar de evitáveis, as infecções relacionadas à assistência à saúde (IRAS) continuam sendo um problema mundial. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que até 30% dos pacientes internados em UTIs podem ser afetados por infecções hospitalares. Em países de baixa renda, o risco pode ser até 20 vezes maior.
A projeção da OMS indica que, até 2050, as infecções associadas à resistência bacteriana poderão causar até 3,5 milhões de mortes por ano. No Brasil, levantamento da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), divulgado em 2024, mostra avanço nos indicadores de controle das IRAS, mas alerta que o risco ainda permanece elevado.
O relatório destaca que grande parte das infecções da corrente sanguínea ocorre dentro das UTIs. A incidência chega a 3,5 casos por mil cateteres venosos centrais por dia em UTIs gerais. Nas unidades neonatais, esse índice sobe para 6,1 casos. Já a pneumonia associada à ventilação mecânica permanece entre as infecções hospitalares mais frequentes, podendo alcançar taxas de 9,4 casos por mil pacientes submetidos à ventilação mecânica por dia.
Infecções elevam custos e aumentam resistência bacteriana
Além do impacto na saúde pública, as infecções hospitalares também geram custos elevados para os sistemas de saúde. No Brasil, pacientes infectados podem gerar despesas até 55% maiores. Nos Estados Unidos, os prejuízos ultrapassam US$ 40 bilhões por ano. Na Europa, o impacto chega a € 7 bilhões anuais.
Outro ponto de preocupação é a resistência aos antibióticos. Segundo Cláudia Vidal, o uso inadequado desses medicamentos favorece o surgimento de bactérias resistentes e compromete os tratamentos. “O uso inadequado de antibióticos pode implicar em resistência bacteriana, maior risco de efeitos colaterais e gerar custos desnecessários para o sistema de saúde”, ressaltou.
Dados da OMS estimam que as infecções resistentes podem provocar até 10 milhões de mortes anuais até 2050. Embora parte das instituições brasileiras já possua programas de gerenciamento de antimicrobianos, especialistas alertam que o país ainda enfrenta desafios. Levantamento da Anvisa mostra que apenas 52,7% dos 153 serviços de saúde analisados possuem programas estruturados para controle do uso racional de antibióticos.
Nas UTIs adultas, cerca de 95,6% das Comissões de Controle de Infecção Hospitalar monitoram o uso desses medicamentos. Nas UTIs pediátricas, o índice é de 82,8%. Para especialistas, fortalecer medidas básicas de prevenção, especialmente a higienização correta das mãos, continua sendo essencial para reduzir infecções, proteger pacientes e salvar vidas.



