POLÍTICA

Áudio de Flávio Bolsonaro a Vorcaro é prova de esquema, diz Boulos

Em entrevista ao EXTRA, ministro comenta investigação e critica atuação da direita nas redes sociais
Por Bruno Fernandes e Adja Alvorável 15/05/2026 - 20:06
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Reprodução/vídeo/Jornal EXTRA de Alagoas
Deputado Guilherme Boulos comentou áudio atribuído a Flávio Bolsonaro durante entrevista em Maceió
Deputado Guilherme Boulos comentou áudio atribuído a Flávio Bolsonaro durante entrevista em Maceió

O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência do Brasil, Guilherme Boulos (PSOL), afirmou que o áudio que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teria enviado para o banqueiro Daniel Vorcaro representa uma “prova” de suposto esquema investigado pelas autoridades. A declaração foi dada em entrevista ao EXTRA

Segundo Boulos, a gravação muda o cenário do caso por trazer um elemento concreto para as apurações.

“Uma coisa é você ter uma denúncia, as pessoas têm o direito de se defender. Ninguém sabe se é verdade, se é mentira, até concluir, até vir prova. Outra coisa é você ter a prova logo de cara. Esse áudio é a prova do esquema que Flávio Bolsonaro fez, dizendo que era para financiar filme do pai. Era para fazer esquema. Agora a Polícia Federal está investigando se era para mandar dinheiro para o irmãozinho dele, que estava traindo a pátria lá nos Estados Unidos, o Eduardo Bolsonaro”, declarou.

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Um áudio do senador Flávio pedindo dinheiro a Vorcaro para financiar a produção do filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, foi divulgado na quarta-feira, 13, pelo Intercept Brasil. Após a repercussão do caso, o senador afirmou que os recursos solicitados tinham como único objetivo viabilizar a produção cinematográfica e negou que o dinheiro tivesse sido usado para custear despesas de seu irmão, Eduardo Bolsonaro, que vive nos Estados Unidos desde 2025.

Redes sociais e polarização política

Durante a entrevista, o ministro também comentou sobre a atuação da direita nas redes sociais. Ele citou os apoiadores do ex-presidente. Para Boulos, aliados de Bolsonaro tentam desviar o foco de denúncias por meio da disseminação de outros assuntos.

"É um problema atrás do outro, um escândalo atrás do outro. Essa é a situação da família Bolsonaro. Eles podem, na rede social, ter a máquina deles, no 'zap zap', ficar mandando fake news", disse. “Eu acho que por mais que eles tenham uma milícia digital, quando a verdade é avassaladora, é difícil segurar”.

O ministro citou a polêmica envolvendo o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e sua possível vice na chapa de Flávio Bolsonaro para as eleições de 2026. No início de maio, Nogueira foi alvo da 5ª fase da Operação Compliance Zero da Polícia Federal em maio de 2026, suspeito de receber vantagens indevidas do Banco Master.

"Aí eles inventaram a história do detergente, começaram a beber detergente, falar do detergente, para quê? Para desviar o assunto. Agora eles vão inventar uma outra, daqui a pouco eles vêm de novo com banheiro, com kit gay, com ideologia. Eles vão vir com alguma história para tentar, mas o povo não é besta", afirmou.

Boulos também citou a dificuldade da esquerda de ocupar espaço nas redes sociais. Para o ministro, mesmo com iniciativas do governo federal, como o Desenrola e propostas relacionadas a direitos trabalhistas, o engajamento tem sido baixo.

"A gente vê que não está tendo o alcance esperado, que a gente esperava que fosse ter, em relação ao governo Lula. Eu acho que também é um erro. O que está acontecendo, que não está conseguindo atingir a população comum?".

Boulos também comentou a polarização política no país e, ao falar sobre o cenário eleitoral, afirmou que acredita na reeleição de Lula.

"O presidente Lula é a liderança popular mais importante desse país. Lula foi o candidato mais votado em 2022 entre a classe trabalhadora em geral e foi por isso que ganhou a eleição. O Lula está muito bem e vai ser reeleito presidente", concluiu.


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