ECONOMIA
Braskem propõe mais prazo e corte de juros em dívida de bilhões
Ao tentar renegociar dívidas, empresa encontra resistência de credores
A Braskem apresentou um plano para renegociar parte de suas dívidas, mas a proposta foi recebida com resistência por credores, que pedem mudanças nas condições apresentadas pela petroquímica. O projeto, chamado Catalyst, prevê mais prazo para pagamento, redução dos juros e a possibilidade de adiar o pagamento de parte dos encargos.
Entre julho de 2026 e dezembro de 2027, a Braskem estima ter compromissos financeiros de aproximadamente US$ 3,68 bilhões. Sem um acordo para renegociar essas dívidas, a companhia projeta que poderá faltar dinheiro em caixa para cumprir todas as obrigações nos próximos anos.
O plano apresentado aos credores prevê três medidas principais:
ampliar em cinco anos o prazo para pagamento das dívidas;
reduzir em dois pontos percentuais as taxas de juros;
permitir que os juros sejam incorporados ao valor da dívida até dezembro de 2028, em vez de serem pagos imediatamente.
Na prática, essa última medida significa que a empresa deixaria de desembolsar parte dos juros agora, acrescentando esse valor ao saldo devedor para pagamento futuramente.
A Braskem afirma que pretende quitar integralmente as dívidas dentro do novo cronograma e que não pretende reduzir o valor devido aos credores nem transformar essas dívidas em participação acionária.
Para colocar o plano em prática, a empresa pretende recorrer à recuperação extrajudicial, um mecanismo previsto na legislação brasileira que permite negociar dívidas diretamente com os credores, com homologação da Justiça, sem interromper as atividades da companhia.
Durante esse processo, a Braskem busca evitar cobranças judiciais enquanto negocia um acordo.
Os principais credores rejeitaram a proposta inicial. Segundo o grupo que representa parte dos investidores, a redução dos juros não seria compatível com o atual risco financeiro da empresa. Eles defendem condições diferentes, como juros maiores, regras mais rígidas para o uso do caixa e limites para novos investimentos.
Os credores também propõem que os acionistas façam um aporte de recursos na empresa para ajudar a reduzir a dívida, dividindo os custos da reestruturação.
A Braskem informou que o plano envolve apenas as dívidas financeiras, como empréstimos e títulos emitidos no mercado. Segundo a companhia, os pagamentos a fornecedores, clientes e demais parceiros comerciais continuam sendo realizados normalmente e não fazem parte da renegociação.
A Braskem afirma que o plano busca dar tempo para que a empresa recupere sua situação financeira. Entre as estratégias está o projeto Transforma Rio, que pretende ampliar a produção de etileno a partir de 2029. A expectativa da companhia é aumentar gradualmente a utilização de suas fábricas nos próximos anos, elevando a geração de caixa e reduzindo o nível de endividamento.



