Reforma Agrária
Sem-Terras ocupam calçada do Palácio para evitar despejo de 5 mil famílias
Camponeses fazem acampamento e exigem reunião com governo sobre terras do Grupo João Lyra
Movimentos de luta pela terra de Alagoas iniciaram nesta segunda,6, um acampamento no Centro de Maceió. A mobilização é por defesa das terras do Grupo João Lyra, cujo processo de falência foi encerrado pela Justiça, para o assentamento das famílias Sem Terra de Alagoas.
O objetivo dos movimentos é pressionar o Governo de Alagoas para avançar na negociação e evitar o despejo de mais de 5.000 famílias acampadas dede 2014 nas terras onde antes funcionavam as Usinas Laginha e Guaxuma.
Os camponeses montaram acampamento na frente do Palácio do Governo e exigem reunião com o governador Paulo Dantas (MDB), a presidência da superintendência do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), Cesar Aldrighi e com a ministra Fernanda Machiaveli, do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA).
“Estamos há anos em luta na defesa dessas terras para fins de Reforma Agrária. Hoje diversas famílias vivem nessas áreas, constituíram famílias, produzem alimentos e construíram sua dignidade e até agora o estado não avançou nas negociações anunciadas”, explicou Margarida da Silva, da coordenação nacional do MST.
Margarida diz que as famílias estão sendo ameaçadas de despejo. "Nós não iremos admitir que a terra que hoje é palco de produção de comida de verdade, volte a ser espaço da cana-de-açúcar”, comentou. Ao todo cerca de 1000 trabalhadores e trabalhadoras participam do ato.
O acampamento no palácio não tem data para ser desmontado. Com cozinhas, barracos, ferramentas de trabalho e bandeiras, os camponeses seguem dispostos a permanecer em Maceió até uma sinalização positiva dos órgãos responsáveis pelo acompanhamento do caso.
Desde o anúncio da abertura de falência do Grupo João Lyra, os movimentos populares do campo reivindicam o assentamento de milhares de famílias camponesas nos hectares de terras do grupo em Alagoas. De 2011 a 2014, os movimentos do campo ocuparam áreas das três usinas falidas no estado: Guaxuma, na região de Coruripe, Teotônio Vilela, São Sebastião, Campo Alegre e Junqueiro; Uruba, no município de Atalaia; e Laginha, em União dos Palmares e Branquinha.
Somente em 2016 foi iniciado o processo de negociações entre os movimentos populares, o Governo do Estado, representantes da massa falida do Grupo João Lyra e do Tribunal de Justiça do Estado de Alagoas. Na tratativa, propôs-se um acordo que levou em conta a necessidade de pelo menos uma das usinas voltar a moer cana-de-açúcar, visando gerar recursos para honrar o pagamento aos credores.
A proposta de acordo foi que as famílias Sem Terra desocupassem a Usina Uruba, em Atalaia, com maior possibilidade de retomar o trabalho de imediato e, como contrapartida, seriam destinados cerca de 1.500 hectares de terra da Usina Guaxuma para que as organizações que a ocupavam, e toda a Usina Laginha seria destinada para fins de Reforma Agrária Popular, porém o acordo que até então não foi cumprido.



