Investigação
Caso Vitinho: Polícia Civil avalia novas prisões após esquema milionário
Investigação analisa provas apreendidas e não descarta novos pedidos à Justiça
A Polícia Civil de Alagoas não descarta solicitar novas prisões no caso que investiga Victor Bruno da Silva, conhecido como "Vitinho", suspeito de estuprar Maria Daniella Ferreira, de 19 anos, em Coité do Noia. A possibilidade foi confirmada nesta sexta-feira, 10, pelo delegado José Carlos, da Diretoria de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Dracco), após a operação que revelou um suposto esquema de fraude fiscal, lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio.
Segundo o delegado, documentos, aparelhos eletrônicos e outros materiais apreendidos durante a ação ainda passarão por análise. Caso surjam novos elementos que indiquem a participação de outros investigados, a Polícia Civil poderá solicitar novas medidas cautelares à Justiça.
Até o momento, o único pedido de prisão relacionado à investigação financeira foi direcionado a Victor Bruno, que permaneceu foragido durante parte das apurações. Conforme a polícia, ele ainda não prestou depoimento no inquérito e deverá ser interrogado após a conclusão das oitivas de outros investigados.
As investigações apontam que o pai de Vitinho seria o responsável por liderar um grupo suspeito de movimentar recursos de forma irregular. De acordo com a Polícia Civil, aproximadamente R$ 150 milhões teriam passado pelas contas do investigado, enquanto o esquema completo movimentou cerca de R$ 305 milhões em quatro anos.
Segundo José Carlos, embora parte das operações esteja ligada ao comércio de veículos, a suspeita é de que recursos que deveriam transitar por empresas tenham sido movimentados por contas de pessoas físicas, terceiros e empresas utilizadas para ocultar patrimônio e reduzir o pagamento de tributos.
Durante a operação, os policiais também recolheram documentos e equipamentos de um escritório de contabilidade que passou a integrar as investigações. O objetivo é identificar como funcionava a estrutura financeira do grupo e a possível participação de familiares, funcionários e pessoas apontadas como laranjas.
A expectativa da Polícia Civil é concluir o inquérito após a análise do material apreendido e dos novos depoimentos. Com base nas provas reunidas, outras medidas judiciais poderão ser adotadas.
Relembre o caso
Victor Bruno é investigado por dopar, estuprar e agredir Maria Daniella Ferreira, de 19 anos, em dezembro de 2024, em uma chácara localizada na zona rural de Coité do Noia.
Segundo a Polícia Civil, exames periciais identificaram medicamentos no organismo da jovem, indicando que ela foi dopada antes do abuso sexual. A vítima também sofreu agressões físicas e asfixia, o que provocou graves sequelas neurológicas.
Maria Daniella permaneceu dias internada, ficou em coma e ainda enfrenta limitações motoras, sendo submetida a tratamento médico e sessões de reabilitação.
Após meses foragido, Victor Bruno se apresentou à Polícia Civil nesta sexta-feira, 10, quando teve a prisão preventiva cumprida. O caso segue sob investigação.



