Segurança Pública

Alagoas registra alta em mortes por intervenção policial em 2025

Taxa de letalidade policial foi de 3,6 mortes a cada 100 mil habitantes, revela anuário
Agência Brasil
Em 2025, o Brasil teve em média 18 mortes decorrentes de intervenção policial por dia
Em 2025, o Brasil teve em média 18 mortes decorrentes de intervenção policial por dia

Alagoas registrou em 2025 a terceira maior variação percentual da taxa de mortes da população por intervenção policial do país. O aumento foi de 54,6% em comparação com o ano anterior, abaixo apenas do registrado em Rondônia, que apresentou crescimento de 485,6 % e do Maranhão, de 84%.

Os dados foram publicados no mais recente Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, um levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Em Alagoas, a taxa de letalidade policial em 2025 foi de 3,6 mortes para cada 100 mil habitantes. É a 10ª no ranking dos estados e fica acima da média nacional, que foi de 3,1 mortes por 100 mil/habitantes. Quando observada a situação desse tipo de letalidade no Nordeste, o estado apresenta a 4ª maior taxa: Bahia (10,6 mortes por 100 mil/habitantes), Sergipe (84,4), Rio Grande do Norte (4,0), Alagoas (3,6), Ceará (2,1), Maranhão (2,0), Paraíba (1,4), Pernambuco (1,1) e Piauí (0,9).

Apesar da alta de mortes no quesito letalidade policial, o levantamento geral mostra que Alagoas atingiu, em 2025, o menor patamar de mortes violentas desde o início da série histórica, em 2012. O estado, que em 2012 e 2013 liderava o ranking nacional com taxas próximas de 70 mortes por 100 mil habitantes, reduziu o indicador em mais de 50%, registrando a maior queda proporcional entre os estados do Nordeste.

O levantamento aponta taxa de 33,1 mortes violentas por 100 mil habitantes e quedas expressivas em outras modalidades:- Homicídios dolosos: -11,4%- Roubos em geral: -16,6%- Roubo de veículos: -24,4%- Roubo de celulares: -19,1%- Estupros: -18,1% (recuo superior à média nacional).

6.602 mortes no país

Em 2025, o Brasil teve em média 18 mortes decorrentes de intervenção policial por dia. Segundo o anuário, as mortes praticadas pelas polícias seguem sendo uma realidade estrutural do cotidiano brasileiro.

Com 6.602 mortes, a letalidade policial apresentou em 2025 o maior número absoluto da série histórica que se iniciou iniciada em 2016, e chega em 2025 correspondendo à 16,2% de todas as Mortes Violentas Intencionais no Brasil, a maior participação desde que o conceito de MVI passou a ser utilizado em 2014.

Entre 2016 e 2025, o incremento no número de mortes em intervenções das polícias Civis e Militar foi de 55,7%.

Estatísticas

As taxas de letalidade segundo Unidades da Federação demonstram a diversidade de realidades que coexistem no país. Pelo sétimo ano consecutivo, o Amapá apresentou a maior taxa de mortes pelas polícias do país: 17,1 para cada 100 mil habitantes. Em seguida vem a Bahia, com um índice de 10,6, totalizando 1.570 pessoas mortas em 2025 – cifra que representa quase um quarto do total de casos do Brasil.

A terceira maior taxa foi a do Sergipe, com 8,4 casos por 100 mil habitantes, seguida do Pará, com 7,3. Os mesmos quatro estados tiveram as maiores taxas de mortes pelas polícias também em 2024.

No outro extremo, com as menores taxas de letalidade do país, estão Roraima (0,4), Distrito Federal (0,5), Rio Grande do Sul (0,7), Piauí (0,9) e Amazonas (0,9), todas com diminuições de seus índices de mortes decorrentes de intervenções policiais entre 2024 e 2025.

Apenas 10 estados reduziu as taxas

A maior parte das Unidades da Federação apresentou aumento, e somente 10 estados tiveram em 2025 um número menor ao que fora visto para o ano de 2024. Se destacam ainda as reduções em quase 50% dos estados de Tocantins, Rio Grande do Sul e Roraima.

Segundo o documento, os dados apresentados reforçam que a redução da letalidade policial depende menos do aumento da capacidade coercitiva do Estado e mais do aprimoramento da forma como essa capacidade é empregada. Isso exige investimentos simultâneos em políticas de prevenção da violência, mecanismos de controle do uso da força e estratégias de policiamento orientadas por inteligência.

“Quanto maior a capacidade de produzir informações qualificadas, identificar alvos prioritários e planejar intervenções, menor tende a ser a necessidade de operações baseadas no confronto direto. Em outras palavras, a atividade policial deve buscar criar as condições para que o uso da força letal seja sempre a última alternativa, empregada em ambientes tão controlados quanto possível e apenas quando estritamente necessária”.

Perfil das vítimas

A anuário mostra a manutenção de um perfil das vítimas que vem sendo apontado por há anos. A maior parte das pessoas mortas em intervenções policiais é do sexo masculino: eles representam 97% das vítimas. Em termos relativos, a taxa de letalidade entre homens foi de 6,19 mortes para cada 100 mil habitantes em 2025, um aumento de 6% em relação a 2024, quando o índice foi de 5,83. Entre as mulheres, a taxa foi de 0,04 em 2025, valor que permanece no mesmo patamar registrado em 2024.


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