ECONOMIA

IA pode somar R$ 1 tri ao PIB do Brasil: quem ficará com esse ganho?

Estudo projeta avanço bilionário até 2030, mas acesso a capital e dados
Divulgação
OpenAI, modelo de inteligência artificial
OpenAI, modelo de inteligência artificial

Quando uma empresa usa inteligência artificial para prever a demanda, reduzir falhas ou liberar profissionais de tarefas repetitivas, o ganho aparece em tempo, custos e vendas. Levados à escala nacional, esses avanços podem alterar o ritmo da economia brasileira. A questão é que os benefícios dificilmente chegarão a todos os negócios na mesma intensidade.

Para Ricardo Jacobs, empreendedor, investidor e empresário, a diferença será determinada pela capacidade de incorporar a tecnologia à operação. Empresas que relacionarem o uso da IA a problemas concretos terão mais condições de transformar eficiência em resultado. Quem permanecer restrito a ferramentas isoladas pode economizar algumas horas sem produzir uma mudança relevante no negócio.

Um levantamento do Reglab divulgado pela Exame estima que a IA poderá acrescentar R$ 986,7 bilhões ao Produto Interno Bruto brasileiro entre 2027 e 2030. Encomendado pela OpenAI, o estudo adapta ao Brasil uma metodologia econômica e calcula os possíveis efeitos da tecnologia em 12 setores. O valor representa um potencial condicionado à adoção, à infraestrutura, ao crédito e à qualificação, e não uma previsão automática de crescimento.

Segundo a pesquisa, 65% do impacto projetado viria do aumento da produtividade dos trabalhadores. Os outros 35% estariam ligados ao uso de IA em máquinas, equipamentos e estruturas produtivas. A indústria de transformação concentraria R$ 264,2 bilhões, seguida por serviços, com R$ 165,4 bilhões, e comércio, com R$ 131,2 bilhões. Mesmo dentro desses setores, a distribuição dependerá de quem conseguir aplicar a tecnologia primeiro e com maior profundidade.

A distância entre empresas de portes diferentes já aparece no uso cotidiano. Pesquisa realizada pelo Sebrae e pela FGV IBRE, com colaboração do Google, ouviu cerca de 5 mil empresas e identificou uso frequente de IA generativa em 35% das médias e grandes companhias. Entre micro e pequenas empresas, a proporção cai para 15%. As maiores também utilizam a tecnologia principalmente para análise de dados, enquanto os negócios menores a concentram em marketing e divulgação.

“A implantação em pequenas e médias empresas é um desafio e não acontece do dia para a noite. Muitos empreendedores e colaboradores que estão há bastante tempo no negócio conhecem apenas os recursos básicos. Isso dificulta levar a inteligência artificial para controles, sistemas e processos que realmente influenciam a gestão”, afirma Jacobs.

O conhecimento sobre ferramentas de geração de textos pode transmitir a impressão de que a IA já está amplamente integrada às empresas. Na prática, existe uma diferença entre pedir a um sistema que resuma um documento e conectá-lo ao controle de estoque, ao fluxo de caixa, à previsão de vendas ou à análise de riscos. O segundo estágio exige dados organizados, revisão da rotina e profissionais capazes de avaliar as respostas produzidas.



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