Segurança
Traipu inclui material sobre violência contra a mulher nas escolas
Conteúdo é adaptado para diferentes faixas etárias e começou a ser trabalhado durante o Agosto Lilás
Construir um futuro baseado no respeito, na igualdade e na consciência é uma das prioridades da Secretaria Municipal de Educação (Semed) de Traipu. Com esse objetivo, a pasta incluiu no programa educacional deste mês um material suplementar voltado à conscientização sobre a violência contra a mulher e o feminicídio.
Intitulado “Educar para Cuidar: Não ao Feminicídio”, o material foi adquirido com recursos próprios pela Prefeitura de Traipu e é adaptado para diferentes faixas etárias. O conteúdo está sendo trabalhado com estudantes do Ensino Fundamental 1 e 2, Ensino Médio e da Educação de Jovens e Adultos (EJA).
A iniciativa começou em agosto, mês em que é realizada a campanha nacional Agosto Lilás, voltada à conscientização e ao enfrentamento da violência contra a mulher. No entanto, segundo a Semed, as atividades não ficarão restritas ao período da campanha e deverão continuar ao longo do ano letivo.
Para o secretário municipal de Educação, Reginaldo Farias, abordar o tema no ambiente escolar é uma forma de contribuir para que crianças, adolescentes, jovens e adultos compreendam desde cedo a importância do respeito e do combate à violência.
“É uma iniciativa muito importante, que vai trabalhar com nossas crianças, adolescentes, jovens e adultos a importância do respeito, do diálogo e do combate a toda forma de violência. O material também envolve as famílias, fortalecendo a parceria entre escola, pais e comunidade. Esse trabalho será desenvolvido de forma transversal, conforme orienta a BNCC, levando essa discussão para o cotidiano escolar. Nós entendemos que educar para cuidar é também educar para respeitar, proteger e valorizar a vida”, afirmou.
Conteúdo adaptado
Com linguagem adequada para cada etapa de ensino, o material é dividido em dois livros, sendo um direcionado às mulheres e outro aos homens. Entre os temas abordados estão as leis de proteção às mulheres, identificação de relacionamentos abusivos, construção de relacionamentos baseados no respeito, autoestima, empoderamento e o papel da família, da escola e da comunidade na proteção das mulheres.
Uma das primeiras unidades de ensino a trabalhar o conteúdo foi a Escola Municipal de Educação Básica Agapito Rodrigues de Medeiros, com alunos do Ensino Fundamental 1.
Na escola, educadores, coordenadores e a direção participam das atividades, transformando a sala de aula em um espaço de diálogo e reflexão sobre o tema. Segundo a coordenadora da Semed, Edivan Albuquerque, trabalhar a temática desde a infância é uma forma de contribuir para a formação de crianças mais conscientes sobre seus direitos e responsabilidades.
“A decisão da Semed em trabalhar esse conteúdo acontece diante dos inúmeros casos de feminicídio registrados diariamente no Brasil, no nosso estado e no nosso município. É um alerta para tentarmos acabar ou, pelo menos, minimizar esses casos. É essencial que a temática seja trabalhada desde cedo, como estamos fazendo com nossos alunos, para que eles desenvolvam uma consciência maior sobre a responsabilidade de cuidar, proteger e não se tornar um agressor”, destacou.
A coordenadora da Escola Agapito, Cleônia dos Santos, também ressaltou a importância de abordar o assunto com as crianças, principalmente diante de situações de violência que podem ser vivenciadas dentro de casa e reproduzidas no ambiente escolar. Para ela, a escola tem um papel importante na construção de uma visão crítica sobre comportamentos violentos e na prevenção da naturalização dessas atitudes.
“É de extrema importância tratar desse assunto com as crianças. A escola já vivenciou casos de pais que são violentos com suas mulheres em casa, e os filhos acabam trazendo essa realidade para o ambiente escolar. Por isso, é importante estimular o aluno a pensar criticamente sobre o assunto, a não normalizar frases ou comportamentos violentos que presencia em casa e a compreender como uma mulher deve ser tratada, com respeito. Muitas vezes, eles veem situações que não são boas para o futuro deles. Esse trabalho precisa acontecer para que a violência não seja normalizada e não seja reproduzida no futuro”, concluiu Cleônia.



