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Crivella pede perdão por criticar religiões africanas e gays
O candidato à Prefeitura do Rio pelo PRB, senador Marcello Crivella,
pediu perdão caso tenha ofendido católicos, espíritas, evangélicos e
homossexuais em trechos de livro que publicou nos anos 1990 a respeito
do período em que viveu como missionário na África.
Na publicação, publicada inicialmente em inglês, em 1999, e lançada em português no Brasil em 2002, Crivella diz que a Igreja Católica e outras religiões cristãs "pregam doutrinas demoníacas".
Ele afirma que a Igreja Católica "tem pregado para seus inocentes seguidores a adoração aos ídolos e a veneração a Maria como sendo uma deusa protetora".
Quatro anos antes da publicação em inglês, o então bispo da Igreja Universal Von Helde chutou a imagem de Nossa Senhora Aparecida durante um programa da TV Record.
Crivella expõe sua opinião também sobre espiritismo e hinduísmo.
Sobre as igrejas de matrizes africanas, Crivella diz que abrigam "espíritos imundos" e que praticam o sacrifício de crianças.
Em uma passagem diz que "as tradições africanas permitem toda sorte de comportamento imoral, até mesmo com crianças de colo".
Segundo a reportagem, práticas como o sacrifício de animais são
classificadas no livro como "ritual satânico que "deve ser evitado".
Ele diz que o trabalho de sacerdotes de religiões africanas "se tornou
um grande negócio na África, porque é motivado pelo maldito amor ao
dinheiro".
A reportagem do periódico carioca registra que na introdução da edição
brasileira, os sacerdotes africanos são considerados "feiticeiros e
bruxos, conhecidos no Brasil como pais, mães e filhos-de-santo".
Ele diz que no hinduísmo, o sacrifício de crianças é feito como forma de obtenção de riquezas.
Crivella responsabiliza demônios por condutas como vícios, adultério e opção pela homossexualidade.
Segundo a reportagem no livro, Crivella diz que gays não devem ser
tratados com descriminação, mas diz que "são vítimas desse terrível mal,
vivendo sem paz e numa condição lamentável pelo ser humano".
Ele afirma que esses "espíritos" podem ser transmitidos para gerações seguintes.
"O pai viciado e adúltero provavelmente passará o mesmo espírito para o
seu filho", diz. "E quando ele morre, o espírito se manifesta no seu
filho que prontamente negligencia sua esposa e seus filhos para
prosseguir nessa conduta maligna."
As posições de Crivella expressas na reportagem foram criticadas pelo
adversário de Crivella na disputa à Prefeitura do Rio, o deputado
estadual Marcelo Freixo (PSOL), na redes sociais e durante evento de
campanha.
"Crivella revela em seu livro quem é o verdadeiro candidato à Prefeitura
do Rio. Mostra todo o seu preconceito. Nós queremos uma cidade com mais
tolerância, menos preconceito e que tenha espaço para todos os grupos e
religiões", disse.
OUTRO LADO
Procurada pela reportagem, a campanha de Crivella enviou nota divulgada em resposta à reportagem.
Segundo Crivella, o "o livro foi escrito há décadas em inglês e Zulu
quando eu vivia na África num ambiente de guerras, superstição e
feitiçaria".
"As poucas referências ao catolicismo foram equivocadas e extremistas
feitas por um jovem missionário, cujo zelo imaturo da fé levou a cometer
esse lamentável erro. Isso infelizmente ocorre", disse.
Crivella diz, na nota, que ama "os católicos, espíritas, evangélicos e a todos."
"Se alguma vez os ofendi, peço perdão. O mesmo em relação à homossexualidade."
O candidato afirmou que o livro foi escrito em período que,
infelizmente, vivia na "imaturidade da fé, mas sinceramente pensando em
ajudar".
Ele afirmou que era movido "pela convicção equivocada de um dogma religioso, ofendemos sem intenção a quem amamos".
Disse que em seus 15 anos como senador foi um "intransigente defensor da
tolerância, da liberdade, da dignidade da pessoa humana".
"Erros cometidos no passado, há muito corrigidos pela maturidade do
presente, só confirmam o que disse antes: sou candidato a prefeito, não a
perfeito. Perfeito só Deus!"



