ECONOMIA

Salário mínimo deve subir para R$ 1.631 em 2026, prevê governo

Reajuste de 7,44% impactará benefícios e contas públicas a partir de janeiro
Por Redação 29/08/2025 - 19:20
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Divulgação
Segundo o Dieese, salário mínimo serve de referência para 59,9 milhões de pessoas no Brasil
Segundo o Dieese, salário mínimo serve de referência para 59,9 milhões de pessoas no Brasil

O governo federal propôs, nesta sexta-feira, 29, um salário mínimo de R$ 1.631 para 2026 — R$ 113 a mais que os atuais R$ 1.518. O valor consta no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) enviado ao Congresso, mas só será confirmado em dezembro, quando o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) de novembro for divulgado.

Se aprovado, o reajuste representará alta de 7,44% e começará a valer em janeiro, com pagamento a partir de fevereiro. A previsão supera a estimativa divulgada em abril, que projetava R$ 1.630.

A correção segue a nova política de valorização do salário mínimo sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que soma a inflação acumulada em 12 meses até novembro com o crescimento real do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes. Para 2026, vale o PIB de 2024, que cresceu 3,4%.

Segundo o Dieese, o salário mínimo serve de referência para 59,9 milhões de brasileiros, incluindo trabalhadores formais, aposentados e beneficiários de programas sociais como o Benefício de Prestação Continuada (BPC). O aumento também gera efeitos indiretos, como maior poder de compra da população e impacto sobre o “salário médio” no país.

O reajuste, no entanto, pressiona as contas públicas. Isso porque benefícios previdenciários, seguro-desemprego e abono salarial não podem ser menores que o valor do mínimo. De acordo com cálculos do governo, cada R$ 1 de aumento gera cerca de R$ 400 milhões a mais em despesas. Assim, a elevação prevista para 2026 corresponde a um crescimento de bilhões de reais nos gastos obrigatórios, reduzindo a margem para despesas discricionárias, que financiam políticas públicas e investimentos.


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