Alerta para prevenção!
Choques elétricos mataram 19 vítimas em Alagoas no período de um ano
Estado registrou 35 acidentes com energia elétrica; No Nordeste, 80% das vítimas morrem
No primeiro domingo de 2026, dia 4, Luciana Klein Helfstein, de 39 anos, e o filho Arthur, de 11, morreram eletrocutados em uma piscina de uma pousada, em Maragogi (AL). Somente em um ano, o Brasil registrou 1.077 acidentes ocasionados por choques elétricos. No Norte e Nordeste, 80% das vítimas desses episódios morreram.
Em Alagoas foram registrados 33 acidentes deste tipo e 19 vítimas não resistiram às lesões, o que corresponde a uma taxa de 54% das vítimas.
A Agência Tatu analisou dados do Anuário Estatístico de Acidentes de Origem Elétrica 2025, que traz dados de 2024, consolidados a partir de ocorrências noticiadas pela imprensa. Este é o levantamento mais recente e abrangente sobre acidentes por choque elétrico no país, elaborado pela Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade (Abracopel).
As regiões Norte e Nordeste lideram as taxas de mortalidade por acidentes elétricos. No Norte, dos 139 casos registrados, 112 foram fatais, o equivalente a 80%. O Nordeste concentra o maior número absoluto de acidentes e mortes do país, com 341 ocorrências e 268 óbitos, o que representa 79% do total. Em seguida aparecem o Centro-Oeste (67%), Sudeste (65%) e Sul (60%).
Aumento nacional
O monitoramento da Abracopel identificou um crescimento de 28% no número absoluto de mortes por choque elétrico no Brasil entre 2013 e 2024. No primeiro ano foram 592 óbitos, 74% dos 803 acidentes. Já em 2024 foram 759 óbitos, representando 70% dos 1.077 casos de choques elétricos.
O fundador e diretor executivo da entidade, o engenheiro eletricista Edson Martinho, atribui o avanço a dois fatores principais. “O primeiro é que os dados são baseados em notícias veiculadas no meio eletrônico e, nos últimos anos, a circulação de informações aumentou. O segundo é o fato de a população ignorar os riscos da eletricidade. O Brasil já está alinhado às principais normas internacionais; o desafio agora é garantir que elas sejam efetivamente aplicadas para evitar acidentes e mortes”, avaliou.
A maioria das ocorrências fatais foi registrada em locais de geração, transmissão ou distribuição de energia, além de postes (38,5%), áreas residenciais (32,5%) e canteiros de obras (7,5%). O levantamento também revela que, por ocupação profissional, as principais vítimas foram trabalhadores da construção civil e do setor elétrico.
Mortes em piscina
Casos como o registrado em Maragogi acendem um alerta sobre os cuidados com instalações elétricas em áreas molhadas. O engenheiro eletricista João Macário Netto explica que já existem normas técnicas específicas para garantir a segurança nesses ambientes, como a NBR 5410, que trata de instalações elétricas de baixa tensão, e a NR-10, voltada a instalações e serviços com eletricidade. As regras delimitam áreas de risco dentro e ao redor da piscina e definem o que pode ou não ser instalado em cada espaço.
Entre os principais cuidados, Macário ressalta a importância de um projeto elétrico elaborado e acompanhado por engenheiro eletricista habilitado, em conformidade com a legislação profissional. “No interior da piscina e nas áreas imediatamente próximas, por exemplo, só é permitido o uso de sistemas de extra-baixa tensão, justamente para reduzir o risco de choque. Já em áreas um pouco mais afastadas, é obrigatório adotar medidas adicionais de proteção, como dispositivos que desligam automaticamente a energia em caso de falha”, advertiu.
Diretor da Abracopel Regional Alagoas, o engenheiro eletricista enfatiza que a combinação adequada desses sistemas é essencial para a segurança dos usuários. “O dispositivo diferencial residual, o DR, funciona como um verdadeiro salva-vidas elétrico, pois interrompe rapidamente a corrente quando há fuga de energia. O uso de tensões mais baixas, aliado à fiscalização técnica, reduz drasticamente o risco de morte”, explicou. “Quando essas medidas são seguidas, tragédias como a de Maragogi podem ser evitadas”, acrescentou.
Para quem utiliza piscinas à noite e deseja identificar possíveis riscos, o especialista explica que não há como o usuário perceber se existe fuga de corrente nas luminárias, pois se trata de algo extremamente complexo. “A prevenção depende, sobretudo, de projetos bem executados e do cumprimento rigoroso das normas técnicas. Não é burocracia, é proteção à vida. A eletricidade deve ser uma aliada, e nunca uma ameaça para quem busca lazer e descanso”, concluiu.



